O deputado federal Aécio Neves (MG) reassumiu, nesta quinta-feira (27), a presidência nacional do PSDB para o biênio 2025-2027. A eleição ocorreu durante reunião semipresencial do diretório nacional, que também definiu a nova Executiva e os conselhos fiscal e político da sigla, todos aprovados por unanimidade.
Durante o evento, em Brasília, Aécio abriu espaço para debates sobre os rumos do partido e deixou no ar a possibilidade de uma aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso ele dispute a Presidência da República no próximo ano. O mineiro, no entanto, fez uma ressalva:
“Se Tarcísio for apenas o candidato de Bolsonaro, não o apoiaremos”, afirmou, destacando que as tratativas ainda estão em fase inicial.
A declaração vai ao encontro da preocupação de partidos de centro e direita que buscam uma alternativa competitiva para enfrentar o governo petista em 2026. Nesse cenário, o ex-governador Ciro Gomes, recém-filiado ao PSDB, também surge como possível pré-candidato.
Em seu discurso de posse, Aécio dedicou boa parte das falas à crítica das gestões petistas e ao impacto da Operação Lava Jato sobre sua carreira e sobre o próprio PSDB. Ele classificou o processo como injusto:
“Eu e outros companheiros fomos injustiçados nos últimos anos. Seguimos firmes no propósito de combater os desmandos das gestões petistas e nos manteremos contra os extremos, a polarização que tomou conta do nosso país”, disse.
O parlamentar reforçou que a polarização política “atropelou a racionalidade e o equilíbrio” no debate público.
Aécio ainda voltou ao tema da Lava Jato, afirmando que a operação “criminalizou irresponsavelmente a atividade política” e que muitos dos envolvidos – inclusive de outras siglas – tiveram absolvições posteriores.
“Muito ainda há de ser dito e os interesses ocultos naqueles tempos sombrios haverão de ser ainda definitivamente revelados”, disparou.
Reconduzido ao comando nacional do partido após oito anos, Aécio afirmou ter aceitado o desafio por entender que a legenda ainda tem papel “relevante” no cenário político brasileiro. Ele reconheceu erros, mas também lamentou que o partido não tenha defendido com a mesma intensidade os avanços dos seus governos.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o mineiro tem como meta eleger 30 deputados federais e “recolocar o PSDB no tabuleiro político”.
O PSDB enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história: encolheu após a Lava Jato, perdeu seus governadores e hoje conta com apenas três senadores e 13 deputados federais. A sigla corre risco de não atingir a cláusula de desempenho em 2026 — o que a deixaria sem fundo partidário e tempo de TV.
Durante o evento, militantes e dirigentes repetiram as palavras de ordem “reestruturação” e “renovação”, mirando eleitores que rejeitam a polarização entre PT e Bolsonaro.
A solenidade contou com poucas lideranças de outros partidos. A única presidente de legenda presente foi Renata Abreu (Podemos), que quase conduziu a incorporação do PSDB no primeiro semestre.
“A gente namorou muito PSDB e Podemos, mas o futuro a Deus pertence”, comentou.
Líderes de MDB, PP e PL também enviaram representantes. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), ressaltou a histórica rivalidade entre PSDB e PT:
“O partido que mais enfrentou o PT foi o PSDB, isso nos uniu”, afirmou, acrescentando que acredita que a sigla caminhará para o centro, mas que jamais se aliaria aos petistas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou a relevância histórica do PSDB:
“O cidadão que está na ponta possa voltar a ser a prioridade do debate”, disse, garantindo abertura para diálogo na Casa.
Aécio encerrou o ato reafirmando seu compromisso com a reconstrução do partido e sinalizando que novas alianças e reposicionamentos devem marcar o processo de reorganização tucana a partir de 2025.



