União Brasil recomenda expulsão de Celso Sabino após permanência no governo Lula

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O Conselho de Ética do União Brasil decidiu, nesta terça-feira (25), recomendar a expulsão do ministro do Turismo, Celso Sabino, da legenda. A decisão, tomada por unanimidade, será encaminhada à Executiva Nacional do partido, responsável pela decisão final. Ainda não há data marcada para a reunião que sacramentará o futuro do ministro na sigla.

Sabino é alvo de um procedimento interno aberto em outubro por desrespeitar orientações partidárias, como o ultimato dado pelo União Brasil para que seus filiados deixassem cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até 19 de setembro. O prazo foi anunciado em meio ao distanciamento crescente entre o partido e o Planalto, e o descumprimento seria considerado infidelidade partidária.

Mesmo após declarar publicamente que pediria demissão, Sabino permaneceu no Ministério do Turismo e continuou participando de agendas oficiais com Lula — inclusive durante eventos da COP30, em Belém. Na ocasião, chegou a afirmar que apoiaria o petista, independentemente de alinhamentos partidários.

Além do processo sobre infidelidade partidária, Sabino também é figura central em outra crise: a intervenção do comando nacional no diretório do União Brasil no Pará, estado onde o ministro exerce forte influência. A direção nacional dissolveu a executiva estadual — antes comandada pelo próprio Sabino — e nomeou uma comissão provisória.

Em nota divulgada nesta terça, o partido afirmou: “Por unanimidade, os conselheiros opinaram pelo deferimento da intervenção no diretório regional do União Brasil no Pará, com dissolução da Executiva local e nomeação de comissão provisória, e também pela expulsão com cancelamento de filiação partidária de Celso Sabino.”
Segundo o documento, Sabino e seu advogado participaram da reunião e estão cientes da recomendação.

Nos últimos meses, o ministro tem criticado publicamente a direção partidária. Ao ser afastado das funções internas no início de outubro, Sabino alegou que o União Brasil tem tomado “decisões equivocadas”.

Na época, declarou: “O partido, no meu entendimento, tem tomado decisões equivocadas, açodadas. […] O momento eleitoral tem que ser deixado para o prazo eleitoral.”
Mesmo diante da ofensiva da sigla, Sabino reafirma que permanecerá no governo Lula. Durante a COP30, em Belém, disse que não há motivo para expulsão:
“Eu não fiz nada, não devo nada para ninguém. Estou aqui com a minha cabeça erguida, com sentimento de dever cumprido pelos resultados que a gente entregou.”
O ministro também tem indicado que ficará no cargo até abril, prazo de desincompatibilização para quem deseja disputar as eleições de 2026. Sabino planeja se lançar ao Senado pelo Pará e considera o apoio de Lula fundamental para sua campanha.

“Pelo bem do turismo, pelo bem dos serviços que a gente vem fazendo em todo o país, mas especialmente pelo bem do povo do Pará pela realização da COP30, vou permanecer no governo”, disse em outubro.

Com a recomendação formal de expulsão, o futuro político de Sabino agora depende do julgamento final da Executiva Nacional do União Brasil. Até lá, o ministro segue no cargo e mantendo apoio declarado ao governo Lula.

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