Pãozinho delícia pode se tornar Patrimônio Cultural e Imaterial da Bahia; projeto é apresentado na AL-BA

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Um dos símbolos das festas de aniversário e da culinária baiana pode ganhar reconhecimento oficial. O deputado estadual Paulo Câmara (PSDB) apresentou à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) um Projeto de Lei que propõe transformar o tradicional pãozinho delícia em Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado.

A iguaria, famosa por sua massa macia e recheios que vão do queijo coalho cremoso ao presunto, foi criada pela chef e apresentadora baiana Elíbia Portela, hoje com 75 anos. Na justificativa, Paulo Câmara resgata a história da origem do prato, destacando o improviso que deu início à receita.
Segundo o parlamentar, o clássico baiano nasceu por acaso, quando Elíbia ainda era criança.

“A mãe de Elíbia, que era banqueteira, estava preparando uma fermentação para outro pão, mas a farinha especial que ela precisava demorou a chegar. Para não desperdiçar o fermento, a jovem Elíbia decidiu improvisar, adicionando a farinha comum que tinha disponível e criando uma massa mais mole, diferente da usual para pães. As primeiras fornadas não deram muito certo, mas a terceira ficou ótima”, relata o texto.

Ao apresentar o PL, Paulo Câmara ressaltou que a criação de Elíbia ultrapassou seu valor gastronômico e tornou-se parte da identidade cultural da Bahia.

“O pãozinho delícia é uma iguaria genuinamente baiana, criada por Elíbia Portela, em Salvador. A receita foi aperfeiçoada ao longo dos anos, com a adição de queijo e requeijão, e tornou-se um clássico e item indispensável nas festas e comemorações na Bahia. Hoje, o pãozinho delícia é um ‘patrimônio’ da culinária baiana”, escreveu o deputado.

Caso o PL avance, o pãozinho delícia poderá se juntar ao acarajé entre as iguarias oficialmente reconhecidas como patrimônio imaterial do estado.
Ícone da cultura gastronômica baiana
Presença obrigatória em celebrações, confraternizações e mesas festivas, o pãozinho delícia ganhou notoriedade por unir simplicidade e sabor inconfundível. Feito com massa leve e textura única, é tradicionalmente recheado com queijo coalho cremoso e presunto, embora existam inúmeras adaptações. Seu caráter afetivo e cultural o transformou em símbolo da culinária baiana.

Receita original de Elíbia Portela

Para celebrar a proposta — e evitar que o leitor fique só na vontade — a receita original da criadora também foi incluída no projeto e divulgada por Paulo Câmara. Ela leva ingredientes como leite, manteiga, açúcar, fermento fresco e farinha peneirada, seguindo o método tradicional utilizado pela chef desde sua infância.

A receita clássica do pãozinho delícia
Também foi divulgada uma versão popular da receita, amplamente preparada nas cozinhas baianas e que reforça a tradição do prato em todo o estado. A fórmula combina fermento, leite condensado, creme de leite, batata, manteiga e farinha, resultando na massa macia que consagrou a iguaria.

Com o projeto em tramitação, a AL-BA deve analisar nas próximas semanas o pedido para reconhecer oficialmente o pãozinho delícia como um dos bens culturais mais representativos da Bahia.

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