Durante o lançamento do Plano Safra Bahia 2025/2026, realizado nesta quarta-feira (23) no Parque de Exposições, em Salvador, o senador Otto Alencar (PSD-BA) fez um pronunciamento contundente ao criticar a dependência brasileira de insumos importados dos Estados Unidos, especialmente na área da saúde, e alertou para os riscos que a tensão diplomática entre os dois países pode trazer ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Em tom sério e direto, o senador chamou atenção para o desequilíbrio da balança comercial entre Brasil e EUA, ressaltando que, embora o país tenha registrado superávit de US$ 74 milhões no último ano, ainda importa muito mais do que exporta, sobretudo medicamentos de alta complexidade.

“Nós importamos 60% de todos os medicamentos de alta complexidade dos Estados Unidos. E poderemos ter problema até dentro do Sistema Único de Saúde com essa beligerância estabelecida por um presidente da principal potência do mundo, que não tem a humildade de entender que ele não é um imperador global”, disparou Otto.

A crítica de Otto Alencar se dirige à escalada de tensões diplomáticas e comerciais liderada por setores conservadores do governo norte-americano. O senador aproveitou o evento, que contou com a presença do também senador Jaques Wagner (PT), para cobrar ação política em defesa do Brasil no cenário internacional.

“Meu amigo Wagner, você que vai por lá, vai procurar o Congresso americano, a Câmara, o Senado, eu vou lhe dar uma missão. Procure um deputado democrático, converse com quem tem juízo. Se conseguirmos colocar um cidadão equilibrado de um lado e tirar um maluco do outro, já faremos um grande serviço ao nosso país”, afirmou Otto, em tom de apelo.

O discurso do senador ganhou atenção entre os presentes no evento, que reuniu lideranças políticas, prefeitos, agricultores e representantes de cooperativas. Embora o foco do encontro fosse o fortalecimento da agricultura familiar, Otto usou a ocasião para fazer um alerta mais amplo sobre a soberania nacional, a segurança sanitária e a importância de uma política externa equilibrada.

Além de levantar a preocupação com os medicamentos, o senador também ressaltou a necessidade de investimentos na indústria farmacêutica nacional, como forma de reduzir a dependência externa e proteger o sistema público de saúde de instabilidades internacionais.

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