Presidente da FIEB avalia que reciprocidade de taxação do Brasil com os EUA não resolverá conflito e será prejudicial para empresários brasileiros

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O presidente da Federação das Indústrias da Bahia, Carlos Passos, cobrou dedicação do Governo Federal para resolução da crise criada após o anúncio da taxação de 50% dos produtos brasileiros, feita pelo presidente dos EUA, na última semana.

Passos também destacou a participação da Confederação Nacional da Indústria como mediadora entre o setor e Governo Federal.

“Essa taxação atinge muito o setor industrial da Bahia. 90% das exportações da Bahia para os Estados Unidos são feitas pela indústria, então basicamente o setor exportador para os Estados Unidos da Bahia é representado pelas indústrias”, aponta o presidente da FIEB ao OFF News, em entrevista durante o lançamento da Expo Tech, do setor de cosméticos, na manhã desta quarta-feira (16).

“Esse volume tem uma concentração em alguns setores, como setor de celulose, setor de pneus, setor de derivados de cacau. Essa líquida não é uma líquida de importação, porque ela não permite a continuidade dos negócios. Onerar para quem compra 50% do preço atual é praticamente inviabilizar a continuidade dos negócios”, avaliou Passos.

“Então, nós entendemos que é preciso haver muita dedicação do nosso governo federal, que é quem compete negociar com o governo americano. Claro que nós, como indústria. Como entidades empresariais. Estamos trabalhando informações, percepções para levar ao conhecimento do governo”, pontuou o empresário.

“A CNI tem tido assento importante, ontem, na primeira reunião do governo federal com os empresários, a CNI foi a representante de toda a indústria, embora ela represente outras associações de classe, de alguns segmentos industriais. A mensagem que a CNI passou foi validada por todas as associações. O presidente Albano tem procurado conversar conosco. Ontem tivemos a segunda videoconferência exatamente para ouvir os Estados e cada um passar a sua visão”, destaca o presidente da FIEB.

O presidente da FIEB avalia que uma eventual reciprocidade de taxação feita pelo governo brasileiro com base na doutrina da reciprocidade poderá não resolver o impasse e ser prejudicial para os empresários brasileiros.

O governo Lula tem se mostrado favorável a uma reciprocidade na taxação de produtos norte americanos que chegam ao país.

“Mas nós temos a grande percepção que, afastada dessas questões políticas, tem que haver uma concentração sobre as questões econômicas. O setor industrial tem mostrado ao governo que essa alíquota de 50%, ela já é extremamente restritiva a qualquer continuidade de negociação. Aplicar a chamada Lei de Reciprocidade, que eventualmente venha a onerar as importações, nada ajudará; ao contrário, piorará o ambiente industrial”, avaliou Carlos Passos.

“Então, nós precisamos, sim, é que o governo federal, ele busque os canais diplomáticos apoiados pelo Ministério da Indústria e Comércio, apoiados pelas representações brasileiras, como a CNI, na busca de um entendimento que possa retornar a um ambiente saudável de compra e venda entre Brasil e Estados Unidos, que já tem aí um histórico de mais de 100 anos de convivência”, destacou o presidente da FIEB.

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