O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou. em entrevista ao O Globo desta terça-feira (2), que não pensa em se colocar como candidato à presidência depois de Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Lula foi três vezes presidente. Provavelmente, será uma quarta”, afirmou Haddad, fazendo referência à tentativa de reeleição em 2026. O ministro disse que, ao mesmo tempo que é “um trunfo ter uma figura política dessa estatura por 50 anos à disposição do PT. Está pacificada. Não se discute”, aponta Haddad sobre o day after de Lula.
Ele lembrou de sua candidatura em 2018 e revelou que o apelo era para que o senador Jaques Wagner fosse o candidato.
“Eu não penso. E só passou pela minha cabeça em 2018 porque era uma situação em que ninguém queria ser vice do Lula. E aí, um dia, ele falou: ‘Haddad, acho que vamos sobrar só nós dois’. Dentro da cadeia. Eu disse: ‘Pense bem antes de me convidar, porque vou aceitar’. E acabou acontecendo”, lembra o ministro.
“Mas era um momento particular. Eu próprio me engajei na sensibilização do Ciro Gomes e do Jaques Wagner para que eles fossem vice. Porque entendia que eram figuras mais consensuais. Sobretudo o Jaques Wagner dentro do PT”, pontuou Haddad.
Com 47 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2018, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro.
Oposição
Ao ser questionado sobre o documento do PT que fala de ‘austericídio’ (suicídio econômico por políticas de cortes de gastos), de uma corrente encampada pela presidente Gleisi Hoffmann, e de quem faria mais oposição a ele, o PT ou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, Fernando Haddad cobrou coerência.
“Olha, é curioso ver os cards que estão sendo divulgados pelos meus críticos sobre a economia, agora por ocasião do Natal. O meu nome não aparece. O que aparece é assim: “A inflação caiu, o emprego subiu. Viva Lula!” E o Haddad é um austericida. Então, ou está tudo errado ou está tudo certo. Tem uma questão que precisa ser resolvida, que não sou eu que preciso resolver”, pontuou Fernando.
“Não dá para celebrar Bolsa, juros, câmbio, emprego, risco-país, PIB que passou o Canadá, essas coisas todas, e simultaneamente ter a resolução que fala “está tudo errado, tem que mudar tudo. Alguma coisa precisa ser pensada a respeito, mas não tenho problema com isso”, reforçou o ministro de Lula.
Acerca das divergências com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), Haddad declarou:
“Têm sido. Há debates, às vezes, mais acalorados, às vezes, menos acalorados. Mas há a noção de que primeiro tem um árbitro. Já leva a informação organizada e aguarda o presidente tomar a decisão.Tem uma pessoa que já comandou o país por oito anos e está completamente apto a arbitrar as divergências. Não considero ruim que haja divergências. É natural”, avaliou o ministro da Fazenda citando Lula como mediador.
“Mas toda discussão é para organizar a informação da melhor maneira possível para que o governo tome a decisão. A minha experiência é que, quando a informação está bem organizada, o presidente dificilmente erra. Agora, quando está mal organizada, pode acontecer. Mas, organizando bem, ele dá o caminho”, concluiu o ex-prefeito de São Paulo.



