“Governo Bolsonaro era pactuado com o crime e as instituições estavam cooptadas: PF, PRF”, diz Jean Wyllys que reafirma críticas a Eduardo Leite e aponta dilema da esquerda na Bahia e no mundo

Jean Wyllys

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O ex-deputado federal Jean Wyllys, que se exilou após a vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro por temer por sua segurança, declarou, em entrevista ao OFF News, que não retornou ao Brasil por receio do uso das instituições da polícia judiciária para atentar contra sua vida.

“O governo Bolsonaro era pactuado com o crime e que as instituições estavam cooptadas: a Polícia Federal, a polícia Rodoviária Federal; ou seja, era inseguro para mim voltar… Eu era e sou considerado inimigo número 1º da extrema-direita no Brasil; então era arriscado… Com a eleição de Lula, Lula me deu as condições de voltar porque eu estou dentro do programa de proteção aos defensores dos Direitos Humanos, e as condições de atuar intelectualmente como antes eu atuava”, explicou Jean Wyllys.

O ex-parlamentar foi duramente criticado por acusar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de ser facista, pelo mesmo comunicar que manterá o modelo das escolas militares criadas por Jair Bolsonaro, que foram extinta pelo presidente Lula na semana passada.

“Eu não vi essa polêmica, mas o que eu quis dizer é o óbvio. Existe uma relação entre o fascismo, a homofobia internalizada e entre o fetichismo; isso não sou eu que estou dizendo, têm uma vasta literatura sobre isso… a psicanálise é uma delas, trabalha sobre esse elemento do fascismo, que é uma identificação das vítimas potenciais ou reais do fascismo com suas algozes. Tem uma escritora norte -americana, Toni Morrison, que ela dizia uma coisa muito interessante: ‘o fascismo não teria sucesso se ele não cooptasse entre as suas vítimas aqueles que estão dispostos a passar pano para os seus crimes, ou para as suas violências’; é isso”, concluiu o ex-deputado federal.

Ao ser questionado sobre a falta de candidaturas representativas na esquerda baiana, o petista filiado aponta que essa inclusão é um desafio global.

“A esquerda, de uma maneira geral, precisa criar processos decisórios e eleitorais que sejam inclusivos de fato e que empoderem de fato candidaturas que não sejam só candidaturas de homens brancos; ou seja, que os partidos invistam de fato em mulheres, mulheres pretas, em lideranças LGBTs, em lideranças do Movimento Sem Terra e lideranças indígenas; essa é uma maneira de oxigenar, digamos assim, o governo, a gestão, e tornar a democracia mais democrática”, apontou Jean Wyllys.

Não é um problema só do PT da Bahia (falta de representatividade), é um problema da esquerda, eu diria, até do mundo, porque eu estava na Europa até pouco tempo, até o último dia 30 de junho eu vivia lá, e a Espanha por exemplo tem esse mesmo problema, que é conseguir se abrir para as novas lideranças e para as novas representações” , concluiu o petista.

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