A presidenta da Funarte e vereadora licenciada de Salvador, Maria Marighella (PT), se posicionou nessa quinta-feira (27) sobre a importância cultural do Abaeté e a decisão da Justiça Federal que determinou a suspensão de parte das intervenções que transgridem a legislação ambiental e de proteção dos locais sagrados naquela área protegida por lei e o seguimento do seu processo de patrimonialização.
Patrimônio cultural do Brasil, o Abaeté é o último remanescente de sistemas de dunas, lagoas e restingas ainda conservadas na capital baiana. A sociedade civil como um todo tem reivindicado políticas para esse território considerado sagrado para as religiões de matriz africana e indígenas.
“O Abaeté é uma paisagem cantada pelo mundo. Suas águas escuras e areias brancas contam histórias, lendas e abrigam vidas. Somos partes daquele lugar. Destaco a experiência das caminhadas patrimoniais ‘Em Defesa do Abaité’, projeto coordenado por Clara Domingas, que partilhou com a cidade, em 2022, a história, ancestralidade, cultura, paisagem e natureza vivas das Lagoas e Dunas do Abaeté. A entrega desse processo e de tantos outros que cuidam do tema é um produto profundo das materialidades e imaterialidades que devem ser declaradas patrimônio e salvaguardadas pelos poderes públicos”, argumentou.
No ano passado, em exercicio no mantado, e através da Frente Parlamentar Mista Ambientalista da Câmara de Salvador, Maria Marighella denunciou os conflitos nas mais diversas instâncias. “O nosso mandato apontou ao Ministério Público que as intervenções em curso naquele território violam, além do ambiente natural, a nossa história e memória”, relata. Para Maria Marighella, as Dunas e Lagoas do Abaeté devem ser protegidas de forma ampla, integral e participativa.



