Com mais de um milhão de votos na disputa ao Senado Federal em 2022, a médica e vice-presidente do PL Bahia, Raissa Soares, concedeu entrevista exclusiva ao OFF News onde tratou de seu futuro político, de eventual aliança de direita com ACM Neto e sobre o destino do movimento bolsonarista pós-governo Jair Bolsonaro (PL).
Muita gente diz que se a senhora tivesse disputado uma cadeira na Câmara dos Deputados o PL teria uma das maiores bancada na ALBA e no Congresso Nacional. Por que decidiu disputar ao Senado?
Sobre eu ter saído ao Senado, uma coisa importante que a Bahia precisa saber é que atendi ao pedido do presidente Bolsonaro. Na época ele chegou a ser muito claro para mim, ele pergunta assim: ‘Dra. Raissa, senhora é mulher de coragem; tem coragem de sair ao Senado mesmo sabendo que pode perder?’ Essa é que foi a proposta que ele fez para mim e falei: presidente, minha intenção é dar voto para o senhor na Bahia e levarei seu recado nos recônditos onde o senhor não pode ir. Eu entrei no pleito compondo com João Roma ao pedido do presidente, como um sinal de obediência política, ele o chefe da nação, não era um projeto pessoal meu, era um pedido do presidente e por isso não saí a deputada federal.
Qual o futuro político de Raíssa Soares e do PL Bahia?
Mantenha a chama possível fazer uma política do povo e para o povo. As pessoas me cobram no whatsapp e nas ruas, doutora não desista da gente, lute por nós, entendo que tenho um voz que atinge o coração do povo baiano. […] Nada combinado, eu entendo que hoje tenho mais força para fazer influência em várias cidades, como saiu a pesquisa de Feira de Santana, eu em 2º lugar, acima inclusive de Zé Ronaldo que é uma figura política respeitada, e eu como candidata ficaria em 2º lugar de votação; entendo que o povo baiano reconhece em Raissa uma voz de influência para inclusive fazer várias prefeituras pelo PL. Neste momento me coloco na posição manter o discurso da lucidez, em defesa da família. […] Vamos colocar os pingos nos is; o que é o PL com vários eventos que ocorreram recentemente. O PL estadual da Bahia está contra ou não PT? Se posiciona a favor ou contra o PT? É unânime que a cada ação dos parlamentares será respondida individualmente, mas o PL estadual da Bahia ele será sim oposição PT. Para 2024 é levantarmos pessoas para fazer o PL atrativo para fazer um grande número de vereadores e prefeitos.
Acredita na sobrevida do bolsonarismo com Jair Bolsonaro fora do poder e do país?
Não vou dizer pelo partido, vou dizer por Raissa Soares. Bolsonaro levantou uma legião de pessoas que se despertaram para a política, e eu faço parte. Independente de Bolsonaro, Raissa Soares se sustentar por atos que fiz lá atrás, que foi defender uma pauta da verdade e de lutar pela vida. Eu fiz um trabalho e sem dúvida quando o presidente atende um pedido de clamor, ali me aproximo dele. Presidente não está no poder, mas o legado existe, nós defendemos os mesmos valores e ao redor do Brasil, da Bahia, 27 federações existem pessoas que acreditam que esse legado deve ser levantado. Não tem como acabar bolsonarismo, há pessoas que acreditam em política autêntica e não querem ganhos pessoais. O Presidente construiu um legado gigantesco. O legado de Bolsonaro está dado e vamos ver, querendo a esquerda ou não, a história está registrada e não vai apagar, a esquerda tenta apagar com narrativas mas não vai conseguir.
Acredita que há chances de Jair Bolsonaro ser preso ao voltar ao Brasil?
Não tem nada concreto em favor da prisão do presidente Bolsonaro, não tem nenhum mandato, processo, julgamento que faz o presidente se tornar réu. Podem anunciar isso, amedrontar isso, e essa decisão sem dúvida o presidente é alguém muito esperto do ponto político e não tenho dúvida que a melhor decisão ele vai tomar [sobre retornar ou não ao Brasil].
Como uma nova força emergente na direita baiana, vocês pretendem abrir diálogo com o grupo de ACM Neto de modo a formar um superbloco para enfrentar o PT, partido que detém hegemonia estadual?
Escutei do próprio ACM Neto que se não existisse o bloco de João Roma nas eleições ele teria perdido no 1º turno. Ele mesmo disse isso, não teria 2 turno se não tivesse os votos de João Roma. Então eles têm a clareza disso e acho que esse futuro político será feito através de conversas, de uma construção desse ideário político que pensa para Bahia. […] Isso é o voto que deu no PT e o PT mantém uma gestão cruel para o povo. O PT faz uma gestão de tudo para eles e nada para o povo. A esquerda não tem intenção de prosperar a Bahia, as famílias, mas de prosperar, eles, no poder. Essa lucidez que vamos passando para as pessoas e elas vão entender e se arrepender de ter votado na esquerda, de ter votado no 13.
João Roma será candidato em 2024 e o PL Bahia manterá posicionamento ideológico bolsonarista para seleção de quadros para disputa das eleições de 2024 e 2026?
“O projeto de João Roma, nem ele foi claro [sobre isso]. Como será essa composição, o tempo vai dizer. Temos uma intenção neste momento de fazer uma bancada que seja legítima, mas a pauta ideológica não vai ter composição, não vamos ter um número suficiente de pessoas que por pauta ideológica vão manter [o partido], mas teremos que ter os princípios. Se a gente tiver pelo menos o princípio, outras pessoas vão se achegar, pessoas que acreditam neste grupo que se forma, que tem lucidez, que defende a liberdade, pautas maiores, mas não só ideológica, que só por ideologia a gente não vai ter grupo.



