Adolfo Menezes critica governo Bolsonaro ao tratar da ponte Salvador-Itaparica e diz que instalação de comissão para acompanhar execução é uma possibilidade

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Na sessão de leitura da mensagem do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o presidente da ALBA, Adolfo Menezes (PSD), declarou que a instalação de uma comissão especial para acompanhar execução da ponte Salvador-Itaparica é uma possibilidade.

A ultima comissão na CSa para acompanhar a execução de uma obra de grande porte foi a da Arena Fonte Nova, no cenário da realização da Copa do Mundo no Brasil.

Veja o discurso do presidente Adolfo Menezes na abertura da 20ª Legislatura:

Deputadas e deputados, distintas convidadas e distintos convidados,

Esta solenidade de abertura dos trabalhos da vigésima (20ª) Legislatura da Assembleia Legislativa da Bahia reveste-se de uma importância singular na história desta Casa.

Singularidade que nos impõe a desafios comuns e de dimensões gigantescas, independentemente de matiz partidário e/ou ideológico de cada um.

Abrir os trabalhos legislativos neste momento é dizer: sim, a democracia triunfou. O terrorismo perdeu e a civilização suplantou, mais uma vez, a barbárie.

A tarde infame do último 8 de janeiro destruiu as sedes dos três poderes em Brasília, mas não abalou um milímetro da nossa democracia, porque a liberdade está em nossa alma. E esta, é morada inviolável.
Vou citar agora trecho do discurso do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, ao abrir o ano judiciário de 2023. Disse Moraes:

“A Democracia é uma construção coletiva daqueles que acreditam na liberdade, daqueles que acreditam na paz, que acreditam no desenvolvimento, na dignidade da pessoa humana, no pleno emprego, no fim da fome, na redução das desigualdades, na prevalência da educação e na garantia da saúde de todos os brasileiros e brasileiras”.

Só faltou completar, ministro Alexandre de Moraes: “Com tiranos não combinam brasileiros corações”, como reverbera, há 200 anos, o nosso brado contido no “Hino ao Dois de Julho”.

Minhas senhoras, meus senhores,

A exemplo do atual mandatário do governo federal, o presidente Lula, que começou a governar antes mesmo de sua posse, todos nós iniciamos aqui o mandato com uma responsabilidade incomum.

O país passa por um árduo processo de reconstrução, e a Bahia tem um peso político e econômico extraordinário nessa tarefa.

E esta cerimônia acontece num dos instantes mais delicados da vida brasileira, no sentido literal da palavra. Talvez a expressão ‘delicado’ não passe de um eufemismo ante a gravidade que o cenário político nos impõe.

Com um país continental a ser reconstruído, não obstante a vontade e a determinação do Presidente Lula e do conjunto de seus ministros, o Brasil enfrenta uma crise sem precedentes em sua história, por razões diversas.

Cabe lembrar que esse processo de desfiguração da vida brasileira teve início em meados de 2013, com as chamadas jornadas de junho, que os historiadores hoje já classificam como a maternidade das ações golpistas ocorridas no último 8 de janeiro, que convulsionaram e, em certa medida, ainda impactam, a vida nacional.

Numa leitura ainda que rasa, é fácil enxergar crise institucional, crime humanitário de povos indígenas e um forte abalo de confiança no mercado – com o crash das Americanas – para não precisar descrever o quadro sombrio que tanto nos atormentou nos últimos quatro anos.

Na trilha da recuperação do país, é fundamental que os Poderes Legislativos, estaduais e federal, comprometam-se a exercer papel de proa na superação dos problemas, especialmente para aqueles que nos confiaram o voto em outubro passado.

E para isso, nós, portadores de mandato popular, jogamos papel essencial.
A classe política, penso, tem o dever de trabalhar pela melhoria do ambiente em que vivemos.

Fora da política, da boa política, não haverá solução com vistas à superação desse leque de problemas que atormenta a Nação. E a Constituição Federal é quem deve balizar as ações, não somente dos políticos, mas de cada segmento que forma a vida brasileira.

Ou seja, Executivo governa, Legislativo legisla, MP investiga e Judiciário julga. Os civis exercem seus direitos, mas também cumprem os deveres. E os militares se mantêm em sua relevante tarefa constitucional, que é a defesa da nossa soberania.

A nossa Constituição não pode ser interpretada ao sabor de interesses corporativos. Isto será essencial para a consolidação da democracia no Brasil, bem como bastante salutar para a melhoria do ambiente de negócios, que é o que vai possibilitar a vital recuperação econômica do país e, por extensão, dos Estados.

Na esfera geopolítica, podemos afirmar que já vivemos novos tempos, com o Brasil retomando o seu protagonismo no concerto das Nações.

Semana passada, em Buenos Aires, assistimos, satisfeitos e esperançosos, o Brasil voltar a brilhar, por ocasião da Sétima Cúpula da CELAC – que é a importante Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

É de valor inestimável para todos nós a retomada da Aliança Estratégica Brasil-Argentina, país que é o terceiro maior destino de nossas exportações e principal parceiro comercial no continente.

No âmbito do Estado, para a felicidade de nosso governador Jerônimo Rodrigues e do vice Geraldo Júnior – aqui presentes para a nossa alegria e satisfação – o cenário político-administrativo herdado, felizmente, é outro. Absolutamente diferente da herança que o presidente Lula encontrou no Planalto.

Graças – vale aqui se fazer justiça – às duas exitosas gestões do ex-governador Rui Costa à frente do Governo da Bahia. Trabalho esse que lhe credenciou a ocupar um dos postos-chave do governo do presidente Lula, no caso o importante Ministério da Casa Civil. Boa sorte, Rui Correria, mas, também, Rui Competência.

E o precursor de todo esse êxito, iniciado em 2007, devo salientar, foi o amigo e ex-governador Jaques Wagner.

E o que ouviremos em seguida, na mensagem do governador Jerônimo Rodrigues, tenho certeza, serão palavras não apenas de esperança, mas de ações que farão a Bahia avançar no desenvolvimento econômico e beneficiando o nosso povo com moradia, estradas, escolas, hospitais, energia, água e comida na mesa do povo baiano.

Senhoras e senhores,

Iniciei esse discurso exortando a classe política a juntar forças com vista à recuperação do país, devastado por uma gestão desastrosa no último quadriênio.

No que diz respeito a nossos deputados estaduais, que ora abrem o ano legislativo e a 20ª Legislatura desta Casa, não tenho dúvidas em afirmar que o trabalho será, mais uma vez, o nosso fio condutor: no plenário, nas comissões, pelo interior do Estado, escutando as nossas bases.

E esta certeza me é assegurada pelos números da Legislatura que se findou há apenas três dias.

Embora com todas as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19, nos dois últimos anos da Casa fomos determinantes na defesa da ciência, no enfrentamento das tragédias ambientais, na ajuda às suas vítimas, assim como na intransigente defesa da Democracia e do Estado de Direito.

Realizamos todo esse trabalho em 81 sessões plenárias, em que votamos 348 proposições e fizemos 1.416 indicações diversas.

Sem dúvida, dois anos altamente produtivos em favor do Estado. Tudo em favor da Bahia e do povo baiano.

Aproveito para desejar a todos os outros 62 deputados deste Colegiado, um mandato bastante profícuo, de muito aprendizado e de trabalho em favor do interesse público. Sucesso também, governador Jerônimo Rodrigues, em sua missão. Que Deus o abençoe e o ilumine.

Por fim, como pai, ser humano e cristão, mas, sobretudo como político, quero pedir desculpas públicas a todos os Povos Indígenas e Originários deste país.

E um pedido de desculpas especial à Comunidade Yanomami pelas cenas dantescas, chocantes e estarrecedoras, vindas a público com a recente visita do presidente Lula ao Estado de Roraima.
Em meu nome e em nome do povo baiano, peço perdão!

A fome é brutal e inaceitável no terceiro maior produtor de alimentos do mundo. A fome, como arma de extermínio de um povo, é crime. É genocídio.

Boa sorte, bom trabalho governador Jerônimo Rodrigues!

Muito obrigado. Que Deus proteja a todos!

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