O deputado federal Zé Neto (PT) lamenta que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), candidato derrotado ao governo da Bahia, ao invés de fazer uma autocrítica, opte por um caminho de menosprezar a vitória do adversário, Jerônimo Rodrigues (PT), ao declarar durante pdocast da rádio Metrópole, na última segunda-feira (17), que foi derrotado por Lula.
“Quanto mais ele fala, mais ele perde para ele mesmo. O depoimento mostra claramente que ele tentou pongar em Lula em todo tempo da campanha, numa demonstração clara que age com base em projeto próprio, que falta projeto de grupo. Hoje ele apenas homologou o que todos já sabia: que ele não tem nenhum senso político coletivo. Ele é incapaz de entender que Lula não é só o 13, e que a eleição na Bahia não foi só Lula, é um conjunto de políticas de grupo e que aqui na Bahia teve alguns governos que traduziram essa caminhada política similar a de Lula. Nós somos Lula e lula é nós, não existe diferença entre o conjunto que nosso time tem, o nome de Lula é o do nosso capitão, quem comanda as ações”, aponta Zé Neto.
“Neto perdeu a eleição: 1º, por causa dele mesmo: autoritário, prepotente, tratou os adversário com desprezo achando que tinha ganhado a eleição… já estava escolhendo secretariado antes 1º turno, se achava um príncipe, onde passava se achava governador… do lado de cá não teve isso; como sempre foi trabalho, humildade, candidato pé no chão, disposto, parecido com nosso povo, diferente dele que chegou ao ponto de dizer que se preparou 30 anos, como se isso fosse uma grande virtude”, concluiu o petista.
Zé Neto apontou as diferenças entre o modelo de construção das candidaturas.
“Jerônimo foi fruto de um trabalho coletivo de líderes políticos, de deputados, de associações, sindicatos, vereadores, que não contaram dificuldade e foram às ruas fazer uma campanha belíssima em defesa dop nosso presidente, do nosso governador e do nosso projeto. Neto jamais vai ser governador por conta disso, só tem projeto pessoal, mostrou isso na entrevista. Incapaz reconhecer o trabalho coletivo feito por Jerônimo, Lula, Rui, Wagner; sua tentativa pongar, como foi feita em Feira através de santinhos com o número de Lula e o dele, prática proibida que acabou dando aval; e fez porque achava que estava disputado com um número, sem entender que o número traduz um time”, pontua o petista.
“Número por número não é nada, como nome e sobrenome por um si não é nada. Se ele achar que o número e um sobrenome são o suficiente, vai descobrir toda vez que está errado. Eleição se ganha com trabalho coletivo. Ele pode preparar o lombo pois vem outra cacetada em Salvador ano que vem, é bom ele tirar o cavalinho da chuva”, provoca o parlamentar do PT.
Zé Neto também criticou a forma com que ACM Neto tratou os veteranos Zé Ronaldo e Marcelo Nilo, ao declarar que a escolha de Ana Coelho e de qualquer outro para vice não faria diferença.
“O que ele fez com Zé Ronaldo mostra que ele não tem nenhuma relação com uma política grupo, que a política dele é feita por nome, por isso diz que perdeu para Lula e por isso achou que ganharia sozinho. Nós temos um grupo que não tem cacique, mas tem referências: Rui, Jerônimo, Wagner, Otto; mas não são caciques, são companheiros, sabem ouvir, debater, articular, entender que o processo político não se passa por osmose, é pelo suor, alegria, tristeza e pé no chão. Essa entrevista dele tem que ser guardada como mais uma confissão do seu individualismo, da maneira de fazer política solitária mais do que qualquer outra coisa. O coletivo e indivíduo se encontram na política, não se faz o que fez com Ronaldo e outros tantos que deixou sem pai e nem mãe na estrada, na penúria”, critica o parlamentar petista.
O deputado federal avalia que a situação de Zé Ronaldo e Marcelo Nilo abriram um precedente que joga contra ACM Neto: “Quem tentar se aproximar dele vai pensar duas vezes depois do que ele fez com Ronaldo e com Marcelo Nilo e com os cabos políticos do interior, que ele acusou de não ter ajudado. Ele é um político jovem, com capacidade intelectual, não é preguiçoso. Ele já mostrou que sabe trabalhar no dia a dia, o que precisa é pensar muito nos erros dele, respeitar os adversários, ter humildade e fazer uma autocrítica”.



