Os problemas individuais e partidários que Jerônimo Rodrigues terá que resolver para fechar governo com o mínimo de insatisfação possível

Transição Jerônimo Rodrigues

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Apesar do governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT) ir à público informar que conta com 90% dos secretários selecionados em sua cabeça, a não divulgação dos nomes e os conflitos internos, tanto partidários quantos por espaços individuais, tenderão a provocar insatisfação seja qual o caminho escolhido.

O próximo final de semana será decisivo para formatação do governo, segundo externou o próprio governador eleito em evento na noite da última quinta-feira (15), na secretaria de Infraestrutura do Estado. Há uma expectativa nos bastidores de que Jerônimo possa antecipar alguns nomes na coletiva antes da diplomação, que ocorre nesta sexta-feira (16).

No aspecto partidário há problemas tanto com partidos de esquerda como de centro.

O PCdoB, por ter crescido nas eleições de 2022, espera obter ao menos duas pastas, mantendo a  Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Governo da Bahia. A Setre é alvo de desejo pelo Partido dos Trabalhadores, pelo turbinada que deverá ter em parceria com o governo Lula e por ser um espaço com boa capilaridade para uma atuação política. A expectativa é obter duas secretarias de porte médio.

O partido conta com quatro deputados estaduais e dois federais.

“Queremos um espaço proporcional ao nosso tamanho”, declarou o presidente da legenda, o secretário Davidson Magalhães, ao OFF News, sem entrar em detalhes qual seria o espaço que preencheria o tamanho.

O PCdoB também tem resistência em ‘ceder’ a deputada estadual Olívia Santana para o comando da Cultura, ainda que a legenda termine com duas pastas. A ideia da sigla é manter também sua força no legislativo. Há uma ala da legenda que acena favorável para ida de Olívia desde que mantida também a Setre.

Surgem questionamentos sobre onde irá parar o PSB. A legenda de esquerda foi a única que reduziu nas eleições. O partido comandado pela deputada federal Lídice da Mata atualmente está no controle da Seagri e, segundo apurações de bastidor, espera conquista mais um espaço pelo menos, pelo trabalho na campanha e fidelidade.

O interesse maior do partido comandado por Lídice da Mata seria emplacar o deputado estadual Angelo Almeida na secretaria de Desenvolvimento Ecônimico, pasta a qual, como mostrou o OFF News, o PSD quer manter. A estratégia traria de volta ao mandato a deputada Fabíola Mansur, primeira suplente. A pasta também é alvo de desejo do vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB), que chegou a ser ventilado como o escolhido na lista extra-oficial que circulou na imprensa.

“Primeiro que ainda estamos tendo conversas com os assessores e membros da transição, Jerônimo ainda não chamou o partido para conversar. Há muitas especulações, não teve conversa individualmente com o partido. Não estamos botando a faca no pescoço de ninguém, estamos esperando e conversando. A nossa avaliação é que pelo tamanho eleitoral e lealdade histórica que temos, poderemos conseguir um espaço no governo. O nome de Angelo há um apelo do partido, por ser um nome que agrega como um todo. Mas volto a dizer, nunca foi o estilo do PSB colocar a faca no pescoço do governador ou quem quer que seja, nós estamos conversando. O estilo do PSB de fazer política é com lealdade e honestidade”, destacou o primeiro-secretário do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Bahia, Rodrigo Hita.

Há questionamentos sobre o próprio PSD, que, com o comando da Assembleia Legislativa da Bahia e possivelmente da União dos Prefeitos, tentar manter o controle da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Secretaria de Infraestrutura. Há quem diga que o partido tem muito filé, apesar de admitir o tamanho da legenda.

Há também questionamentos sobre o espaço que o MDB tem e terá no governo. Membros de partidos aliados avaliam que o espaço que o MDB tem hoje é maior do que o resultado com que ele saiu nas urnas, com dois federais e um estadual:

“O MDB terá que ter o tamanho eleitoral. Se manter o que tem irá gerar insatisfações entre os partidos aliados, isso é certo”, declarou um parlamentar em conversa reservada ao OFF News.

Não se sabe se o acordo que cedeu os espaços ao MDB foi com base na eleição ou já pensando no próximo governo, elemento que a fonte classifica como “chave” para saber qual tamanho terá o partido.

Segundo apurações do OFF News, o MDB atua de modo a separar o espaço do futuro vice-governador da Bahia do seu. A ideia do MDB é ao menos manter o que tem, de porta fechada, segundo uma fonte que pediu para não se identificada: “Claro que desejamos mais espaço, todo partido deseja, mas não abrimos mão de manter o que já temos. E também precisamos separar as coisas, o espaço do MDB é uma coisa, o espaço de Geraldo Júnior é outra coisa. São coisas diferente”.

Procurado, o presidente de honra do MDB, Lúcio Vieira Lima, declarou que sobre espaços no MDB quem fala é o presidente da sigla, Alex Futuca, e pontuou que o partido está aguardando uma definição de Jerônimo Rodrigues (PT).

“Sobre secretarias, o MDB só irá se manifestar através do presidente Alex Futuca, que é quem quem falará pelo MDB quando o governador Jerônimo chamar. Até lá, tudo se trata de mera especulação… o MDB não comenta especulações; inclusive, aproveito a oportunidade para parabenizar o governador eleito que consegue uma façanha inédita na política, que é não permitir nenhum vazamento de qualquer ordem, eu nunca vi isso na política. Acho que ele não está conversando nem com o travesseiro para evitar que o travesseiro dê com ‘as fronhas’ nos dentes”, brincou Lúcio Vieira Lima.

Há também dificuldades individuais. Uma delas trata do atual secretário de Relações Institucionais de Rui Costa (PT), Luiz Caetano, que participou ativamente da eleição de Jerônimo Rodrigues e espera ter como retribuição o comando da Casa Civil do futuro governo.

O espaço do vice-governador da Bahia também é uma incógnita. Há quem defenda que ele estará na SDE, pelo bom trânsito que tem no setor empresarial baiano, mas há quem o coloque na Sedur. Há quem defenda que em uma eventual crise de montagem, Geraldo Júnior poderia ficar sem uma pasta para chamar de sua, mas com condição de indicar pessoas para espaços chaves do 2º escalão que possam pavimentar sua candidatura ao comando da prefeitura de Salvador em 2024.

Também não há clareza sobre o comando da Secretaria de Saúde. Da cota de Rui Costa (PT), há quem diga que a pasta ficará mesmo com a atual ocupante do cargo, Adélia Pinheiro, mas há um lobby de nomes fortes do partido para que Jerônimo dê uma oxigenada na pasta através da escolha da médica infectologista Ceuci Nunes, diretora-geral do Instituto Couto Maia (ICOM), que foi candidata a deputada neste ano que ficou na suplência.  

A Secom também é uma incógnita.

A saída de André Curvello para acompanhar Rui Costa, dada como certa por alguns, ainda não é confirmada pelo próprio secretário. Questionado pelo OFF News durante lançamento da revista Terra Mãe, na noite da última quinta-feira. ele evitou tratar do assunto: “não sei”.

Nos bastidores dois nomes aparecem como ‘sucessores naturais do ofício’, o do atual assessor de comunicação de Jaques Wagner (PT), Bruno Monteiro, que participou da campanha de Jerônimo Rodrigues, e o do próprio assessor do candidato, o jornalista Diego Mascarenhas, que é o coordenador executivo da Secom e tido como braço-direito de Curvello. Quem também está de olho na pasta é o presidente do PT, Éden Valadares, que ganhou holofote na campanha ao estar sem na mídia através de um movimento de pulverização de opiniões, defesas de Jerônimo e ataques contra o então candidato ACM Neto (UB).

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