Exclusivo: Da força do 13 a uma baixa atuação de candidatos, passando pela falta de campanha visual agressiva, políticos avaliam desidratação de ACM Neto no 1º turno

ACM Neto

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Líder nas intenções de voto até a véspera da eleição, o candidato a governador pelo União Brasil, ACM Neto, terminou o primeiro turno na 2º colocação, atrás de Jerônimo Rodrigues, candidato do PT, que alcançou 49,45% dos votos, contra 40,80% do ex-prefeito de Salvador.

Faltaram 44.692 votos para Jerônimo vencer no 1º turno.

ACM Neto fará uma reunião na tarde desta segunda-feira (3), para uma avaliação da campanha e a formulação de estratégias para o 2º turno.

O OFF News procurou políticos aliados para obter avaliações sobre a desidratação constatada no 1º turno.

Para o deputado estadual Alan Sanches (UB), a atuação de alguns candidatos ao legislativo deixou a desejar e prejudicou tanto ACM Neto (UB) como a Cacá Leão (PP).

“Faltou empenho de alguns candidatos, pensaram em si, inclusive vi santinho de candidatos sozinhos, candidato do nosso lado sem pedir voto para senador e governador. Eu vi vários santinho na rua só com o nome e o número do candidato. Eu acho que acabou com alguns pensando apenas em si, não pensando no grupo. Em alguns momentos fazer isso, a gente até entende, mas em uma eleição acirrada como essa, tem que entender o momento e dar o máximo para se eleger e a chapa ganhar”, aponta Sanches.

O político do UB avalia que chegou o momento de ACM Neto (UB) mudar sua estratégia de campanha, adotando um alinhamento nacional acreditando que sua candidatura irá absorver todos os votos que foram dados ao candidato João Roma (PL), que ficou em 3º lugar com 9,08% dos votos, e manter o que alcançou, mais de 3 milhões de votos.

“Eu acho que, inclusive vou colocar isso na reunião com Neto, temos que fazer avaliações conjuntas, mudar a estratégia. Não vai poder ficar na mesma, temos que avaliar em que erramos. O sentimento de mudança continua, se você somar as pessoas que não estão a favor da continuidade desse governo é maior em número do que são. Agora é ver onde errou, fazer essa avaliação e adotar uma mudança estratégica, ver no que precisa mudar”, apontou Sanches, que foi reeleito deputado estadual.

13

O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), aponta que a força do 13 foi determinante para fazer Jerônimo Rodrigues entrar no 2º turno na frente de ACM Neto (UB).

“Para mim esse resultado é por conta do fator Lula. Em grande parte dos locais onde Neto não casou, o fator Lula pesou. Neto tem uma condição boa de ganhar, agora é buscar voto, tem os votos de Roma que virão, esses eleitores não votam em Jerônimo. É manter o que tem e buscar ampliar, intensificar o trabalho. Um situação semelhante aconteceu em Conquista, quando Zé Raimundo (PT) liderou o 1º turno e perdeu no 2º, tendo de uma maneira geral, por causa do 2º turno, um percentual menor de votos”, lembra Cocá.

O gestor acredita que ACM Neto não deve alterar sua postura de isenção com relação ao pleito nacional, apesar do 2º turno também ocorrer na disputa ao Palácio do Planalto. Ele também aponta que faltou um trabalho mais intenso dos parlamentares, tanto nos grandes colégios eleitorais como nos rincões.

“Que faltou um empenho de muitos candidatos, faltou. Com certeza muita gente não foi para rua, perderam em vários lugares e ganharam em algumas colégios eleitorais importantes com uma uma diferença pequena. Agora é hora de todo mundo somar, passado a eleição legislativa, acredito que todo mundo vai para rua. Ainda é uma campanha indefinida, tanto nacionalmente como aqui”, aponta Zé Cocá.

“Neto tem que continuar do mesmo jeito. Se ele for para um apoio ele pode perder mais de 60% dos votos, na minha concepção. Ele tem que continuar com o seu discurso de que vai governador com qualquer presidente que o Brasil escolher. Se for se abraçar com Bolsonaro ele perderá o grande eleitor que teve no 1º turno. O Neto Lula colocou, porque os eleitores viram nele o potencial de um futuro governador. Ele tem que continuar um candidato independente”, conclui o prefeito de Jequié.

Majoritária

Um parlamentar do grupo, que pediu para não ser identificado, acredita que faltou na verdade uma campanha visual mais agressiva de ACM Neto (UB), já que, segundo ele, o que viu pelas ruas de Salvador foi uma predominância das bandeiras vermelhas do 13 sobre as bandeira do 44. Ele também aponta o desempenho do candidato João Roma (PL) como um dos fatores que explica a queda de Neto.

“Eu acho que foi a atuação no dia. Ontem, em Salvador, não via, falo do visual, bandeiras de ACM Neto e a gente sabe que isso contamina. Havia muita bandeira na rua, do PT, e a gente sabe que isso influência o voto útil, o visual. Havia também a expectativa de Roma sair com 3%, 4% e ele saiu com 9%, quase 10%. O voto útil aconteceu, mas era para ter sido maior, ele não saiu todo de Roma”, pontua o político

“Mas volto a dizer, credito isso [queda de Neto] ao impacto visual. Política feita pelo que é e o que parece. Esse impacto visual fez o pessoal do PT se levantar. Foram mais com força para às ruas, o dia fez a diferença. Faltou uma ofensiva visual em todas as grandes cidades por parte da campanha. O eleitor mais esclarecido está nas grandes cidades. Em Lauro eu tive fazer uma operação de guerra, só tinha bandeira PT. Em Juazeiro também faltou o fator visual”, conclui o parlamentar.

O político não acredita que a falta de empenho dos candidatos ao legislativo tenha pesado para desidratação de Neto: “Não credito a isso. Isso seria tornar essa eleição simplória. Jerônimo não tinha deputado atuando tanto assim. Os deputados estão sempre pensando em sobreviver; sempre foi isso, isso é do jogo, não somos meninos na política”.

O político volta a pontuar que uma campanha mais agressiva nos grandes colégios eleitorais aliadas a uma inserção nos pequenos poderia ter dado mais votos ao candidato do União Brasil.

“O que decide eleição é uma ação mais direta da majoritária, especialmente nos povoados e zonas rurais dos municípios grandes. Principalmente onde tem prefeito aliado. Em Feira, por exemplo, tinha que ter ganhado com muitos votos de frente. A eleição endureceu, acredito que Neto perde o voto útil da sensação vitória, mas isso pode ser compensado pela tendência dos votos de Roma migrar para cá. Recomeçou a briga e o PT tem um leve vantagem, mas vai ser cabeça a cabeça, vamos para rua. Neto tem chance, Neto tem trabalho, a única coisa, o x da questão, é decidir o presidente. Se vai liberar bancada ou formalizar apoio. Acho que Neto teve 1 milhão de votos casado com Lula. Qual é a posição? Sou a favor de liberar a bancada. Aí teria eleitores de Bolsonaro e Lula”, aponta o parlamentar.

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