Urgente: “O PT já tinha dito que não indicaria suplência de Otto, me senti um trouxa”, diz presidente do PV

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O presidente do Partido Verde, Ivanilson Gomes, afirmou que a indicação do ex-prefeito de Ibotirama, Terence Lessa (PT), para ocupar a vaga de 1º suplente do senador Otto Alencar (PSD), que tenta reeleição neste ano, causou surpresa e indignação entre membros do partido.

“Essa indicação nos surpreendeu, eu particularmente fique muito chateado, me senti um trouxa. Toda discussão que estava sendo feita com o PT, no sentido de que nós iríamos definir os critérios, e os critérios surgiram, que eram exatamente o de procurar alguém que tivesse capilaridade regional. O PT já tinha dito que não indicaria, internamente já havia decidido porque o PT tinha o candidato a governador. Basicamente caberia ao PCdoB ou PV. Indicamos o nome. O PT iria passar nossa decisão para Otto, e aí marcaríamos uma conversa para definir o encaminhamento da escolha do nome”, pontou Gomes.

“Essa indicação teria que ter a opinião do senador, é óbvio, a suplência é dele. A discussão que tivemos, entendia-se que não deveria se definir o nome sem ter esse tipo de encaminhamento, discussões, apresentações de critério, para não ter arranhões. Surpreendente o PT vai em um ato em Jacobina e anuncia sem sequer avisar ao PT e PCdoB, em uma atitude unilateral e desrespeitosa. Não é assim que se um trata aliado, é preciso minimamente ter respeito, todo PV muito chateado”, concluiu o presidente do PV, em tom de desabafo, ao OFF News.

O PV havia apresentado o nome do próprio Ivanilson, mas depois trocou do ex-deputado federal e forrozeiro Edigar Mão Branca: “Não queríamos impor. Quando indicamos Mão Branca tínhamos certeza que ele agregaria valor na chapa do senador como um todo. É um forrozeiro, simboliza homem do campo, do interior, da musica, é do PV. Uma série de símbolos. Ele foi ex-deputado federal. É um nome que tem capilaridade e musculatura para ajudar a chapa como um todo no momento de dificuldade”.

Estremecida

Segundo Ivanilson, a decisão do PT deixou a federação com o PCdoB e PV em um momento muito difícil, às véspera do início da campanha: “Estamos vivendo um momento muito difícil, eu não sei o que passou com o PT, espero que eles revejam isso. No momento que precisaríamos estar mais unidos, o PT acaba assumindo posição que cria uma dissensão, e isso é muito ruim”.

O PV emitiu nota nesta segunda-feira (11), deixando claro que a indicação do PT para vaga desobriga o partido de apoiar o senador da chapa, Otto Alencar (PSD). Questionado se ato não teria sido precipitado, o presidente do PV afirmou:

“Otto não é da federação, é de um partido que irá coligar com a federação, que é composta por PCdoB, PT e PV. Em tese o PV não tem obrigatoriedade de apoiá-lo, mas isso é um sentimento inicial, evidente que houve o anúncio, mas ainda não houve a formalização desse nome [Lessa]. Vamos aguardar, quero acreditar que o presidente do PT, que é um cara muito democrático, reveja esse posicionamento, não temos de fato nenhuma obrigação de seguir com Otto, já que o PT definiu toda chapa, não só o suplente, e os partidos aliados ficam só vendo ouvindo. Uma coisa tenho dito nas reuniões, o PV é aliado, mas não seremos nem surdo e nem mudos. Vamos falar sempre que sentirmos que uma coisa não foi definida de forma democrática e respeitosa; vamos reagir sempre! O PV não vai aceitar nenhum tipo imposição de cima para baixo. Somos um partido, estamos marchando juntos e precisamos ser ouvido nas decisões”, destacou Ivanilson Gomes.

Questionado se a ação tem efeito para chapa, não se restringindo a um eventual apoio à reeleição do senador do PSD, já que há alas no partido que defenderam uma aliança com ACM Neto (UB), o político disse que nada muda.

“Não altera em nada, como disse, Jerônimo é da federação e não tem como alterar, não tem nada haver uma coisa com a outra. Ele está cuidando da campanha, não iria pagar o preço por uma situação como essa. Essa situação cria um estremecimento da relação institucional com o PT. O PT é o timoneiro desse processo. O candidato é do PT, ele tem o governador e muita responsabilidade, como condutor principal, precisa estar discutindo com os aliados. Ninguém ganha eleição na Bahia, ou em qualquer lugar, sozinho. Os aliados precisam estar bastante satisfeitos para ir para rua, correr atrás de voto, buscar apoio. Se não estiveram satisfeitos, sem o sentimento de pertencimento ao projeto, inevitavelmente eles acabam por não estar estimulados para participar”, completou o presidente do PV.

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