O presidente do PCdoB, Davidson Magalhães, criticou a forma como foi feita a escolha do 1º suplente do senador Otto Alencar (PSD), que tenta reeleição em outubro.
Durante Programa de Governo Participativo em Jacobina, o pré-candidato Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador do PSD apresentaram o ex-prefeito de Ibotirama, Terence Lessa (PT), para ocupar a vaga de suplente.
O PT afirmou em nota que “os oito partidos que compõem o arco de alianças da chapa encabeçada por Jerônimo Rodrigues (PT), anunciaram a escolha durante a plenária do PGP do Piemonte da Diamantina, realizada no município de Jacobina”. O número citado inclue o PV e do PCdoB, que já alegaram não ter sido consultados.
A decisão causou indignação no partido comunista e no Partido Verde, duas legendas que pleiteavam a vaga e que já havia apresentado nomes.
Em 2022, o PT, PV e PCdoB decidiram se unir em uma federação para disputa das eleições. A federação prevê que as decisões políticas deverão ser adotadas em comum acordo ou seguindo a maioria.
O presidente do PCdoB lamenta que o PT não tenha consultado os partidos da federação e nem ter feito uma escolha com base em critérios.
“Essa decisão nós não participamos, não temos a menor responsabilidade. Nem nós participamos e nem PV, isso não passou pela federação. O PT hoje faz parte de uma federação, que sequer se posicionou. Não sei o que pesou na escolha, não se discutiu um critério. Olha, começamos a discutir os critérios, fizemos uma primeira discussão e definimos que o primeiro critério seria uma composição da chapa, com um indicado de partido de esquerda e um de centro. Para essa suplência seria uma pessoa de esquerda, que não poderia ser de partido com representação na chapa. Chegamos a começar a fazer essa discussão, e depois iríamos discutir o perfil”, pontuou Magalhães.
Questionado se a escolha teria sido feita com base na densidade eleitoral, já que Lessa é da região Oeste, onde o candidato ao governo do PT tem um percentual baixo de intenções de voto, o presidente do PCdoB diz não saber: “Não sabemos o critério, se seria essa questão da força regional, enfim. Eu não sei não sei se seria mais importante essa região ou extremo sul, que tem uma densidade maior, nem sei nem qual critério utilizado”.
O PCdoB já conta com a 1ª suplência do senador Angelo Coronel (PSD). Questionado se o partido já não estaria bem acomodado tendo essa suplência, como já foi especulado na imprensa, o presidente do partido classificou alegações como uma tergiversação, uma desculpa:
“Seguindo essa lógica, Otto não poderia ser candidato, já que o PSD tem senador. Por esse conceito, o PT não poderia indicar o governador, por já ter tido dois candidatos. Isso não tem lógica. O PCdoB não pode porque tem 1 suplente, e o PT que tem 1 senador pode? Isso é uma piada. É a maior piada que já ouvi. O PT teve dois governadores, agora indicou o terceiro, tudo bem; o PSD que já tem um senador, vai indicar mais um, tudo bem… aí o PCdoB, que tem 1 suplente, não pode indicar por isso? Isso é uma tergiversação, isso é uma coisa, como diziam os antigos gregos, ‘argumentação pela argumentação’, um absurdo, uma mera retórica”, criticou Davidson.
Especula-se que no processo de escolha o senador do PSD não estava sendo consultado. Questionado, Davidson explicou que esse diálogo ocorreria em um segundo momento.
“Otto tem que ser ouvido, eu acho isso uma coisa importante. Otto seria ouvido, iria opinar, nós apresentaríamos um leque de opções, levando em consideração os critérios. Isso seria decidido, mas o PT atropelou e indicou. A opinião de Otto é importante, além de ser presidente PSD, é o senador, ninguém vai impor seu suplente. Na política não se impõe, faz acordo, aliança, discussão, conversa, apresenta argumentações, não é batendo na mesa. Não se pode indicar um suplente do senador sem conversar”, reafirmou Magalhães.
Davidson Magalhães lamenta que a escolha da 1º suplência de Otto tenha sido feita sem acordo e aponta que isso cria uma crise desnecessária e atua por descompromissar as forças com um projeto conjunto.
Ele também negou que tenha reunião com o PT nesta segunda-feira (11) para acalmar os ânimos e aponta que o partido tentará fazer com que essa decisão seja revista.
“Não tem reunião. Temos uma reunião da executiva do PCdoB agora de manhã. Com o PT não tem reunião, ficou de ter amanhã uma reunião da coordenação da campanha. Essa decisão é ruim e ocorre na hora que a campanha vai para rua, ganha força, e gera uma crise desnecessária. Qual o risco disso? Essa decisão vai desresponsabilizando as forças e cada força vai buscando o seu interesse e, ao invés agregar, dispersa. Fica cada um buscando seu interesse, não agrega”.
Leia nota do PCdoB:
Quanto à indicação da vaga de suplente do senador Otto Alencar (PSD), que concorre à reeleição, o PCdoB-Bahia esclarece:
1 – A informação divulgada de que a indicação do nome do suplente teria sido de forma unânime não corresponde com os fatos. O PCdoB, que pleiteia a indicação, não foi consultado, apenas comunicado de uma decisão que deveria ter passado por um debate na Federação (PT-PCdoB-PV) e pelo conjunto dos partidos da base aliada do governo do estado.
2 – O PCdoB-Bahia é contra a indicação de mais um nome de um partido que já compõe a chapa majoritária. A chapa deve refletir o conjunto da participação das forças políticas que integram a aliança.
3 – Portanto, registramos a nossa insatisfação com o processo de decisão, o que não ajuda na boa relação das forças políticas que compõem a coligação e na condução da campanha.
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