“Não adianta Bruno Reis dizer que não é responsabilidade dele, que é do sindicato e empresa; isso é bravata”, diz vereador e diretor dos Rodoviários

Tiago Ferreira

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O vereador de Salvador e um dos diretores do Sindicato dos Rodoviários, Tiago Ferreira (PT), rebateu as declarações divulgada em nota pela Secretária de Mobilidade de Salvador, de que ela está promovendo “todos os esforços” e que a gestão “está atento à situação”, mas de que “as negociações devem ser feitas entre as concessionárias e seus funcionários”. 

“A Prefeitura não apresentou nada de concreto na reunião na Semob. Não é intransigência [a paralisação] por parte da nossa. Desde o início da campanha salarial que tivemos uma reunião com o secretário Fabrizzio Muller e pontuamos para ele que o problema era grave e que teria que ter esforço maior da prefeitura para tentar sanar um problema que é do sistema. As empresas estão numa situação extremamente difícil, os trabalhadores pior ainda – porque a inflação já bate quase 13% -, só de desempregados temos mais de 800 trabalhadores”, pontuou Ferreira.

“Houve um compromisso do prefeito inicialmente de manter todos os postos de trabalho da antiga CSN e nós já perdemos quase dois mil postos de trabalho. Primeiro foi demitido 1168 trabalhadores, depois nós colocamos quase 2.000, mas ainda há 800 trabalhadores fora e desses total nenhum ainda recebeu suas rescisões. E o prefeito também se colocou à disposição para nos ajudar a vender os terrenos da antiga CSN, já tem dois que estão próximo a ser vendidos, porém nenhum recurso foi pago até o momento”, completou o vereador do PT.

Transtorno

O vereador avalia que o transtorno que está acontecendo com protestos constantes pela cidade, promovido pelos trabalhadores demitidos da CSN na busca pelo pagamento dos direitos trabalhistas, é resultado do esfriamento da participação da gestão Bruno Reis (UB) nas negociações: “Portanto, os trabalhadores que estão fora do sistema e vem fazendo protesto na cidade e causando grandes transtornos para a população, muitas vezes até desacreditando da sua instituição, do sindicato, e a gente fazendo esforço, tanto eu quanto Hélio, enquanto vereadores e também pela entidade e não logramos êxito até o momento”.

O parlamentar pontua que a paralisação no próximo domingo é uma forma de chamar atenção para o grave problema que afeta o sistema de transporte sobre rodas no município.

“Portanto, essa paralisação que em nome da cidades nós iríamos fazer hoje e decidimos fazer no domingo (22), para que tivesse um impacto menor de prejuízo para cidade, e isso como uma forma de aviso para demonstrar que a gente tem flexibilidade sim, porque o que a gente poderia fazer em um dia comum, estamos fazendo no final de semana e esperamos que o secretário ouça a nossa opinião, que nós inclusive apresentamos a ele, visto que o prefeito levou para Câmara Municipal de Salvador uma proposta de subsídio”, explicou Tiago Ferreira.

O vereador afirma que o PL apresentado por Bruno Reis é um paliativo de tiro curto.

“O subsídio, ele não contempla o sistema, porque é um paliativo, ele ameniza por dois meses; 30 milhões que está sendo colocado não paga nem uma folha da empresa. E a gente pede que que isso seja permanente que haja uma redução por exemplo na tarifa de ônibus da cidade, que uma parte seja subsidiado pela prefeitura e que dê as condições para que os próprios empresários comprem essas garagens. Se o empresário está forte e tem condições para poder comprar, a gente resolve o problema de uma vez por todas”, indicou o petista.

Paralisação

Segundo o sindicalista e edil, o prefeito de Salvador precisa voltar para mesa com o mesmo empenho que demostrou no início da crise.

“A gente entende que o problema tanto da campanha salarial quanto da situação da CSN passa pela Prefeitura Municipal de Salvador e não adianta o prefeito dizer que não é responsabilidade dele, que o problema entre sindicato e empresa, porque não é. Nós tínhamos 14 empresas em Salvador antes da licitação de outorga onerosa que foi feita e que quebrou diversas empresas, reduziu a três e agora está reduzida a duas com a possibilidade de quebrar mais uma e de ficar só um consórcio de ônibus em Salvador”, indicou Ferreira.

O vereador de Salvador finalizou com um desabafo:

“Portanto, foi a falta de habilidade política na condução do processo, desde a licitação até agora que gerou o caos. Então toda a responsabilidade do caos que tem no sistema é responsabilidade da prefeitura, desde ACM Neto e agora o prefeito Bruno Reis recebeu de brinde esse pepino para ele resolver em Salvador. E agora querer tirar o braço da seringa e colocar para identidade de classe, de representação dos trabalhadores, é bravata. A gente espera que o prefeito realmente volte para mesa com o empenho demostrado lá atrás. Não podemos negar que houve ajuda dele em diversos pontos para gente, como na questão da cestas básicas que ele colocou e como do seguro desemprego que ajudou a destravar”, pontuou Tiago Ferreira.

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