Presidenta da Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia da Câmara de Salvador, a vereadora Marta Rodrigues (PT) destacou, nesta segunda-feira (16), os 21 anos do Dia 16 de Maio, quando a Faculdade de Direito da UFBa, no Canela, foi invadida pela PM em repressão à manifestação que pedia a cassação de ACM, então senador na época, acusado de ter violado a lei e quebrado o sigilo do painel eletrônico do Senado.

Cerca de oito mil pessoas participavam do ato, que foi violentamente repreendido pelos militares dentro e fora da instituição federal.

Para Marta, a data faz parte da história da capital baiana e é um marco na luta pela democracia. Rodrigues lembra que um dos episódios mais violentos no enfrentamento à PM, sob o comando do então governador César Borges, ocorreu em cima do Viaduto Nelson Sampaio.

Anos depois, a petista chegou a apresentar um projeto de indicação (70/2009) para que o viaduto passasse a se chamar 16 de Maio, em referência à luta travada por democracia na capital. A proposição foi defendida pelo Conselho da Universidade Federal da Bahia, que se reuniu um dia após o episódio do 16 de maio.

“Aquele dia de 2001 tem que ser registrado, e o viaduto nomeado de 16 de Maio. O projeto na época chegou a ser aprovado na Câmara, e enviado à prefeitura. Precisamos levar para as ruas a representatividade e a luta da população por direitos e democracia. Naquele espaço foi travado um embate do povo soteropolitano e baiano contra o autoritarismo e as arbitrariedades do carlismo, que não queremos mais para a Bahia nem no formato antigo, tampouco no formato disfarçado de novo”, declarou.

Segundo Marta, a nomeação de ruas, avenidas e equipamentos públicos com datas de relevância para a sociedade, é fundamental para que a história não seja esquecida. “É um dia que precisa ser lembrado, para jamais ser esquecido e repetido. Um momento marcado não só pela violenta opressão, mas pela resistência de mais de oito mil pessoas que exerciam seus direitos e pediam a cassação do então senador, após ele ter violado a lei quebrado o sigilo do painel eletrônico do Senado”, recordou a petista.

“Foram momentos inesquecíveis que remontaram o período da ditadura. Naquele dia, a UFBA, uma instituição federal, foi invadida pela polícia militar contrariando a Constituição Federal. Jovens, professores, pais e mães foram agredidos com uma força brutal da polícia, porque exercíamos nosso direito de liberdade de expressão. Não queremos mais que se repita algo parecido na Bahia”, acrescentou.

Presidente da Comissão dos Direitos Humanos defende mudança de nome de viaduto

Ainda conforme a vereadora, o projeto que pedia a mudança do nome do viaduto se ancorou também no fato de de que a luta pela verdade e pela democracia, que batizaram o protesto, é uma pauta defendida “irrefutavelmente” pela comunidade acadêmica e que o 16 de maio cerceou o direito constitucional, previsto no artigo 5, da livre manifestação .

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