Nessa quarta-feira (04) completou um ano da morte do ator, humorista, diretor, roteirista e apresentador Paulo Gustavo.
A perda desse ícone da televisão e do teatro brasileiro abalou a comunidade de artistas e fãs, que ainda aprendem a lidar com a ausência do ídolo. O legado de Paulo é inquestionável. Sua respeitável trajetória profissional foi e continua sendo pauta entre a população brasileira, principalmente pelo grande sucesso da sua trilogia “Minha Mãe é uma peça”.
O projeto, iniciado nos teatros, é uma homenagem à mãe do ator, Déa Lúcia, que inspirou a personagem principal Dona Hermínia, uma mãe coruja e dedicada, mas também bastante espalhafatosa e dramática. Ao longo do desenvolvimento da história, os filmes tiveram um aumento gradativo na seriedade da abordagem de temas sociais, e, sincronamente, ocorreu o crescimento no número de espectadores dos filmes. O “Minha mãe é uma peça 3” bateu o recorde de maior bilheteria do cinema nacional, superando o filme anterior da franquia, “Minha mãe é uma peça 2”, e arrecadando 143,9 milhões de reais.
O sucesso de Dona Hermínia pode ser explicado pela representatividade de uma mãe tradicionalmente brasileira, preocupada e protetora (às vezes até demais) e sua relação com seus filhos, o que faz o público se identificar com a obra, criando um sentimento de pertencimento àquela família e empatia com os impasses vividos nos filmes. Ademais, a abordagem de um personagem gay e de uma união homo afetiva, juntamente ao fato do próprio Paulo Gustavo ser abertamente homossexual, atrai espectadores que se sentem acolhidos nos cinemas.

No decorrer da trama, o tratamento da relação família e filhos LGBTQIA+ foi se aprofundando e, ainda assim, mantem-se a leveza e o humor como pilares do longa. Diferentemente de outros filmes nacionais que fizeram sucesso, como “De Pernas para o Ar” e “Até que a sorte nos separe”, a franquia de “Minha mãe é uma peça” conseguiu integrar à história conteúdos importantes agregados ao humor, sem perder a medida da seriedade, muito menos da piada, o que se tornou um marco aclamado na carreira de Paulo Gustavo.
Além do sucesso orgânico das obras, houve um grande incentivo da comunidade artística, cinéfilos e admiradores para irem aos cinemas assistir à Dona Hermínia para valorizar as produções inteiramente brasileiras. Uma onda de apoio foi criada nas redes sociais e compartilhada entre milhares de usuários, tornando-se um movimento expressivo e que ultrapassa os filmes de humor já popularizados entre o público, alcançando projetos de propostas completamente diferentes, mas que ainda precisam do estímulo do público brasileiro, como, por exemplo, os filmes “Medida Provisória”, lançado em 2020 e dirigido por Lázaro Ramos, e “Marighella”, que estreou em 2021 com direção de Wagner Moura.
Podemos dizer que Paulo Gustavo, de forma sensível e sagaz, conseguiu colocar novamente em evidência as produções nacionais e levar mais uma vez o público aos cinemas para reverenciar a cultura brasileira, abrindo portas para próximas obras que chegarão ao mercado.
Como já dito, seu legado é irrefutável e sua ausência traz um grande pesar à arte do país, porém sua contribuição, que se continua a se perpetuar mesmo após um ano de falecimento, nunca será apagada.
Por: Beatrice Magalhães



