O secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia, Nestor Duarte, citou, em entrevista à TV Bahia uma fato que pode ter contribuído para rebelião ocorrida no último domingo (20) e que deixou cinco mortos e 16 feridos, o desligamento de um equipamento que poderia ter evitado que o motim ocorresse.
Na tarde do último domingo, membros de uma facção, recebendo ordens externa, segundo informações da polícia, resolveram matar rivais dando início à chacina carcerária.
Na hora do motim só havia três agentes penais na ala da Lemos de Brito, em Salvador.
Ao ser questionado sobre como uma arma de fogo, que foi apreendida pela polícia na tarde desta segunda-feira (21), entra em uma unidade carcerária, o secretário afirmou:
“Como é que essas coisas entram na unidade prisional? Nós temos um scanner lá na PLB [Penitenciária Lemos Brito], mas o contrato do scanner venceu. Mas nós temos uma esteira, que a pessoa passa. Nós estávamos com visitas suspensas durante quase um ano. Nós fazemos as vistorias, que são chamadas de baculejo, a cada 10, 15 dias. Às vezes a gente faz uma vistoria hoje e amanhã faz outra, porque muda a equipe. Como essa arma entra? Ela pode ser jogada, mas uma arma é muito pesada para ser jogada lá de longe. Então há também a possibilidade disso entrar por mão de gente”, explicou Nestor Duarte.
O OFF News procurou a pasta para saber os motivos do contrato do scanner não ter sido renovado e quando o equipamento voltará a funciar. A assessoria de comunicação da SEAP ficou de enviar uma resposta por e-mail.
Sistema
O secretário admitiu que pode ocorrer falhas no sistema, provocado pela corrupção de agentes: “se tem a vistoria com detector de metais, que passa pelo corpo, e detecta se tiver alguma coisa. A gente não está lá 24 horas para impedir. Nós temos todo um regramento, que deveria ser cumprido e que, se não está sendo cumprido, está errado. Como essa arma entrou lá? Nós encontramos muitas facas, facões, chunchos, mas arma de fogo é muito difícil de se encontrar, mas entrou. A polícia está fazendo uma apuração e nós vamos acompanhar para ver como é que isso entrou na unidade, e fazer a punição de quem cometeu esse crime de levar uma arma de fogo para dentro de uma unidade prisional”, ressaltou o secretário da SEAP.
Duarte também questionou alegações do sindicato dos trabalhadores penais, de que há falta de mão de obra no presídio de Salvador: “Em cada unidade temos 13 agentes penitenciário cuidado de algumas ações que são especificas da categoria de agente. Não temos três para cuidar de 200, nós temos muito mais. Essa coisa de que o certo seria ter 1 agente para cada 5 presos. Imagine. Nós temos 5 mil preso, teria que ter o dobro que temos, e o custo disso para o estado? O servidor público se aposenta mas continua na folha”.
O secretário também tratou dos bloqueadores de celular, que segundo ele foi desativado por queixa da vizinhança da unidade prisional que fica no bairro da Mata Escura:
“Nós monitoramos [as áreas que os funcionários percorrem] Nós já tivemos, inclusive, bloqueador de celular. Quando a gente bloqueia o celular, a gente usa um equipamento desses – que não é barato –, e começa a bloquear também parte do bairro vizinho. Aí começa a reclamação da sociedade. Ás vezes se compra um equipamento desses e a operadora muda o sistema telefônico, e aquele equipamento é jogado fora, não presta mais para nada, porque ele não bloqueia mais aquele tipo de sistema telefônico. Então são problemas graves e que só sabe quem está na gestão da questão”.



