Articulador político da campanha do senador Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia, Luiz Caetano concedeu entrevista exclusiva ao OFF News, onde tratou dos movimentos do coordenador da bancada de deputados federais da Bahia, Marcelo Nilo (PSB), para migrar para base de ACM Neto, da composição para manutenção da aliança PT-PSD-PP, e sobre os virtuais adversários, ACM Neto e João Roma; além de responder aos críticos de sua ação na Serin, que teria foco maior voltado para eleição de sua esposa, Ivoneide Caetano, a uma vaga em Brasília.
O deputado Marcelo Nilo tem demonstrado publicamente sua insatisfação com o governador Rui Costa (PT) pelo desprestigio com que foi tratado nos últimos oito anos. Ele fica no grupo para as eleições de 2022?
Marcelo Nilo tem e sempre teve muito espaço no governo. Essa questão de Marcelo, acho que temos que deixá-lo à vontade… a gente conversa, debate, discuti, conversa mais, mas tem que ter um espaço para que cada um possa decidir o que quer, qual é a bandeira que quer pegar e seguir; então, a gente – o governador Rui Costa e senador Wagner – dá essa liberdade para que cada um decidir… se achar conveniente ficar do lado lá, se quiser vir de lá para cá também, eles têm todo o espaço democrático para seguir seu caminho. Então, para nós, essa coisa está praticamente resolvida. O que é resolvida? Ele faz o que achar mais conveniente, obviamente tem maturidade para isso, ele decide a vida dele, o que achar mais conveniente, assim como qualquer deputado, prefeito, agente político do grupo pode fazer.
Parlamentares da base criticam ilhas de poder que foram formadas na gestão Rui Costa e que atrapalham na articulação política, ao favorecem os políticos mais próximos ao governador em detrimento dos mais ‘distantes’. O que está fazendo para resolver esse problema de modo que não respigue na candidatura de Wagner?
O governo sempre será um espaço de disputa, obviamente que o governo está em disputa o tempo todo e é normal, nós não achamos nenhum erro alguém querer disputar espaço dentro governo, até porque todas as forças políticas disputam, cada um quer mais espaço e óbvio que lutam por mais espaço para eleger mais deputados, eleger mais senadores, eleger mais prefeitos, vereadores e ter mais espaço em qualquer governo que participa. Isso é normal e não deve gerar problemas.
Parlamentares do grupo, principalmente os deputados federais membros de partidos com forte teor ideológico, têm reclamado de certa desvantagem contra os colegas do Centrão, que estão munidos de milhões do Orçamento Secreto que são injetando de forma direta nas prefeituras. Como o governo Rui Costa está trabalhando para fazer um contraponto ao poderia econômico de modo a equilibrar essa disputa?
O nosso contraponto a isso é o trabalho que o governar Rui Costa está fazendo – que hoje é o melhor governador do Brasil-, é o nosso legado político que é comandado por Jaques Wagner, pelo recall que tem, pelo legado que tem na luta política na Bahia e no Brasil, e a força do nosso projeto nacional com o presidente Lula. Eu penso que o dinheiro que o Centrão está distribuindo não haverá de comprar as consciências, até porque a mesma mão que pega o recurso lá [em Brasília], normalmente é a mesma mão que vota contra o povo no Congresso Nacional. Portanto, nós vamos para o trabalho de conscientização, de debate aberto com a sociedade, capitalizando o que o nosso presidente Luiz Inácio Lula fez em nosso país, que o PT fez em nosso país com os partidos aliados. Esse vai ser o debate que vamos fazer, claro, com a sociedade brasileira, para retomarmos o desenvolvimento no país, para tirar o Brasil do mapa da fome novamente e para dar continuidade aqui na Bahia ao trabalho que Rui Costa está fazendo e fazermos melhor. Então, esse é o nosso caminho: com Lula, com Rui, com Wagner e os partidos aliados, para termos uma grande vitória na Bahia, tanto para governador, como para presidente da República e fazermos uma grande bancada de deputados federais, estaduais e senador.
O vice-governador João Leão reafirmou que é candidato ao governo, enquanto vocês do PT defendem Jaques Wagner na cabeça de chapa. Qual é a composição ideal para o grupo e que está fazendo para pacificar os anseios de poder?
Tanto Rui, quanto Wagner conversam com Leão, conversam com Otto, com Lídice, com o PCdoB: Alice, Daniel, Deividson, a turma; conversam com o Avante de Sargento Isidório, conversam com João Carlos Bacelar, o Joãozinho, enfim, conversar com todo mundo. E também tem conversado com o Solidariedade, PV, MDB, é normal isso. Como também do lado deles lá [ACM Neto e Roma], estão muito preocupados com com as duas forças que tem lá, que elas que estão procurando ver quem fica em segundo ou em terceiro lugar. O que nós temos certeza é que essa bandeira que nós seguramos aqui na Bahia, do nosso projeto e estamos construindo um programa de governo olhando para frente, na busca de cada vez mais trazer o desenvolvimento para o nosso estado e a melhoria das condições de vida do nosso povo, essa que é a questão central para nós. O desenho ideal é a unidade do grupo. Você nunca viu ninguém do nosso grupo político dizer que quer romper; o povo do nosso grupo, que é firme com grupo, que está ligado, consolidado no projeto, quer ampliar e unir para vencer.
Há acordo com o MDB integrar a base do governo?
Estamos conversando, eles [O MDB] estão conversando com todo mundo, é público isso, é normal. A política é a arte da conversa, do diálogo, da paciência e isso Wagner tem, essa capacidade de costurar juntamente com o governador Rui Costa e vice-versa, de costurar alianças cada vez mais consolidadas para ganhar na Bahia e no Brasil.
Pesquisas indicam que Wagner é mais forte quando ligado ao ex-presidente Lula. No mano a mano nas pesquisas de intenção de voto ele tem ‘perdido’ com um diferença de quase o dobro de pontos para ACM Neto. O que você está fazendo para reverter isso, é um fato que preocupa?
Qual foi o ato que a gente fez dizendo que Wagner é candidato a governador ou pré-candidato a governador? Qual foram as reuniões que foram feitas na Bahia com Rui, com Wagner, com as outras forças políticas que estão conosco para colocar o nome de Wagner? Wagner está subindo cada vez mais na pesquisas, e temos pesquisa interna que confortavelmente indicam isso, por ter o apoio da sociedade, porque nós fazemos um bom governo na Bahia e temos o apoio do melhor presidente da história do Brasil, que é Luiz Inácio Lula da Silva que vai está junto e o povo já entendeu. Se lembra da inauguração da Ponte da Barra? Quando Wagner pegou no microfone e o povo cantou a música do Lula? Então, o povo sabe da identidade que nós temos e não adianta o lado de lá querer buscar aliança nacionais para tentar decidir questão aqui dentro; até porque temos uma aliança forte, consolidada. Foi Wagner, foi Rui, foi Lula que começaram lá atrás – por coincidência todos eles sindicalistas, que organizaram o PT -, esse projeto de mudança para melhor do país.
Deputados tem criticado sua atuação na Serin, alegando que sua prioridade como articulador para o legislativo tem sido a de eleger sua esposa deputada federal. O que tem a dizer sobre isso?
O projeto maior que nós defendemos é a eleição de Lula presidente da República, esse é o principal projeto nosso; em seguida é dar continuidade no projeto na Bahia, com Wagner governador, e também fazer uma grande bancada de deputado federal e estadual para dar sustentabilidade política tanto aqui a Wagner, quanto a Lula em Brasília. Se assim eu penso, se assim eu acho que é correto, não tem prioridade para ninguém, a não ser para o conjunto das forças políticas do estado. Assim eu faço na Secretaria de Articulação Política, como faço no governo e assim eu faço na minha vida. Quando fui prefeito de Camaçari eu mostrei isso. Governei com todas forças políticas, todas as forças políticas tiveram espaço dentro do governo e todas cresceram e, consequentemente, aqui na Bahia não é diferente. Tenho muito orgulho de ter sido convidado para esse função que estou desempenhado e estou dando o meu melhor para que possamos realmente garantir Lula presidente, Wagner governador e uma grande bancada de deputados federais e de deputado estaduais.
Na sua avaliação, o melhor cenário para Jaques Wagner é enfrentar o grupo adversário com duas candidaturas, tendo João Roma na disputa, ou em um confronto direto com ACM Neto?
A gente não escolhe o adversário. Obviamente que a preocupação de ACM Neto é com o outro candidato, com o Roma, e aí vice-versa, de Roma com ele. Nós não vamos nos preocupar, deixa eles lá brigarem para ver quem vai ser o 2º lugar… se ele [ACM Neto] não tiver cuidado, ele vai para o terceiro lugar e obviamente isso pode destruir o grupo político dele na Bahia; São eles que devem estar preocupados, a nossa preocupação é de seguir fazendo um grande governo e de construir um futuro melhor do que estamos construíndo para Bahia, com mais avanços em todos os setores.



