Exclusivo: Médico parlamentar critica ausência de testagem para Covid na população e vê em pedido para o uso de autoteste uma estratégia do Ministério da Saúde para delegar obrigação

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O Ministério da Saúde, através do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, afirmou na última terça-feira (11) que enviará entre hoje (12) e amanhã (13) à Anvisa uma nota técnica solicitando uma autorização para o uso de autoteste no Brasil.

Ao contrário de outros países que fazem uso do autoteste, que pode ser comprado em farmácias, para auxiliar no diagnóstico da Covid, por determinação da Anvisa, no Brasil não é permitido a venda de exames de antígeno a serem feitos em casa. Apenas as farmácias realizam os procedimentos.

Com uma sensibilidade considerada alta, o exame é feito com a coleta de material no nariz com o cotonete ou por saliva, o chamado PCR. O autoteste tem uma sensibilidade menor do que outros exames (como o PCR) e está sujeito ao erro do paciente não treinado.

Para o deputado federal Jorge Solla (PT), o Ministério da Saúde tem sido negligente na realização de testagem da população, apesar do atual ministro, Marcelo Queiroga, ao tomar posse, garantir que a medida estaria entre suas prioridades à frente da pasta.

“A Europa, EUA explodindo de casos por causa da Ômicron. A Espanha, com três vezes maior ocorrências de casos do que o pico anterior e aqui continua o Brasil sem testar. Falamos do apagão de dados, mas não há uma negligência só com relação à informação, há também com relação à testagem. É bom lembrar que a 1º coisa que o ministro declarou foi que daria início a um programa testagem em massa, mas até agora não vemos nada funcionando, mais do que nunca é preciso fazer a testagem, vivemos um período de contaminações por Covid e influência”, pontuou Solla.

Solla e Bolsonaro
Para Solla, ministério da Saúde quer autoteste para delegar obrigação não cumprida desde o início da pandemia / Foto: Senado

O político que é membro da Comissão da Covid da Câmara dos Deputados, que acompanha ações do governo federal na pandemia, teme que com o aval da Anvisa, o Ministério da Saúde passe a utilizar o autoteste como uma política que caberia a ela fazer e não como uma ação complementar.

“O autoteste, que você pode adquirir e realizar em casa, é algo complementar, não pode ser a estratégia principal. Na Alemanha, Inglaterra, que permitem o autoteste, ele dando positivo, é indicado que se ligue para o sistema de Saúde para marcar um PCR para inclusive ser notificado. O autoteste não pode ser a estratégia nacional principal, é complementar, adicional, subsidiária. Precisamos ter uma estratégia forte de testagem, essa é uma tecla que vemos batendo, nós da comissão de acompanhamento da Covid, desde fevereiro de 2020. Já naquele período apontamos que a testagem em larga escala estava entre as 5 medidas prioritárias, ainda com Mandetta, e passaram se dois anos e nada mudou”, critica Jorge Solla.

Para o parlamentar, não tem justificativas para o Ministério da Saúde dar iníicio a um grande programa de testagem em massa em todo país, custeado pelo Ministério da Saúde, como segundo ele já deveria ter sido feito: “não tem justificativa para o Brasil não fazer testagem em larga escala. Nós já temos empresas produzindo teste aqui, temos laboratórios de ponta no sistema de saúde pública, que são capilarizado. Se não temos testagem, não há diagnóstico. É algo intencional, outro crime responsabilidade desse governo. Não é possível que só faça teste quem está com sintomas, e que o encaminhe para um serviço público lotado, não tem cabimento, isso não é nada razoável. Você precisa testa para isolar as pessoas contaminadas. Temos que fazer imediatamente, estamos com dois anos de atraso”, lamenta Jorge Solla.

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