O administrador e presidente da Associação de Profissionais de Eventos (APE), Adriano Malvar, avaliou em entrevista ao OFF News que a decisão do governador Rui Costa (PT) de reduzir o número de público em evento na Bahia irá impactar principalmente os pequenos e micro-empresários e os trabalhadores do setor, que já sofreram com mais de um ano sem atividades.
O governador da Bahia anunciou uma redução no número máximo de pessoas em eventos, caindo de 5 mil para 3 mil. Ele também determinou que os bares e restaurante cobrem o cartão de vacinação para os clientes. A medida ocorre após o aumento de casos ativos de Covid e de ocupação dos leitos de UTI e enfermaria.
Adriano rebate as alegações do governador, que nas entrevistas tem dito que empresários e promotores de eventos não estão cumprindo os protocolos sanitários e cobrando dos usuários medidas de segurança.
“Quer dizer que hoje nós somos consideradas as piores pessoas do mundo porque nós estamos indo atrás do nosso ganha pão depois de ficarmos tanto tempo parado? Os eventos, os empresários estão cumprindo com as normas, basta ver que vira e Mexe tem blitz em eventos, onde membros da prefeitura e da secretaria de Saúde tem acesso; lá dentro eles fazem uma amostragem e vê que as pessoas estão com cartão de vacinação, eles veem que as pessoas estão vacinados e os protocolos estão sendo exigidos”, destacou Malvar.
O presidente da APE questiona os motivos do governo avançar contra os eventos formais e permitir que nas periferias, focos de contaminações, segundo ele, ocorram festas com aglomerações sem qualquer controle ou restrição: “por que o nosso Governador não está não tá indo atrás dos eventos que estão acontecendo aos finais de semana sem protocolo nenhum? Eles são os grandes eventos, os de bairros, no meio da pandemia, os chamados eventos clandestinos. E quer dizer que nós trabalhadores formais e organizados estamos pagando por esses informais desorganizados… Então, o que que vai acontecer? Cada um faz o ‘Carnaval’ sexta, sábado e domingo e não tem contingente para controlar essa massa e os grandes são culpados os empresários que fazem dessa dessa cidade a da música?”.
O administrador avalia que sem eventos, muitos trabalhadores ficarão sem levar o pão para casa.
Ele pontua que só os grandes empresários, “com gordura”, conseguirão sobreviver nesse ambiente de incerteza. Ele sinaliza que o empresário que promove o evento confiando no público para ter seu lucro e pagar os envolvidos irá quebrar.
Ele cobra que o governo crie uma política para amparar os pequenos e microempresários: “Vivemos de turismo. 80% da nossa capital vive e sobrevive de serviços; serviços esses absorvido pelos turistas que são atraídos pelas suas atrações, seja ela na culinária, na dança, na música, nas belezas naturais. O empresário médio e pequeno quer o dinheiro na conta dele para poder comprar o feijão com arroz dele, para levar o pão para casa; e quem defende isso? Na minha opinião, essa insegurança do governador só irá atacar os empresários e massacrar os pequenos, pois estávamos na esperança que, após “resolvesse” os empresários liberando eventos para até 5 mil pessoas, ele fosse olhar por nós (pequenos) com um auxílio, um suporte, ou algo assim; vejo que esse governo vai de mal a pior, principalmente com o setor cultural”, desabafou Adriano Malvar.
Reflexos
O anúncio da redução de público já provocou cancelamento de eventos. O evento Bonfim de Tarde, que teria show das bandas Harmonia do Samba e Bell Marques, foi cancelado. A Central do Carnaval, responsável pelo ato, afirmou em uma rede social: “Após novo decreto do Governo do Estado, a produção do Bonfim de Tarde confirma o cancelamento do evento, que aconteceria nesta quinta-feira, 13 de janeiro, na Bahia Marina”.
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