A operação da Polícia Federal na Prefeitura de Salvador, envolvendo contrato feito na gestão ACM Neto (DEM), e a compra de respiradores ao custo de R$48 milhões, pagos de forma antecipada, que não forem entregues, na gestão Rui Costa (PT) no Consórcio do Nordeste, provocaram um debate acalourado entre deputado estaduais da bancada de governo e oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, nesta terça-feira (14).
A polêmica começou com o discurso do deputado Jacó (PT), que usou a tribuna para cobrar uma resposta da Prefeitura de Salvador acerca da operação da Polícia Federal na semana passada, deflagrada a partir de irregularidades no contrato feito com a UPA de Pirajá, em Salvador. Ele classificou a saúde ofertada pela gestão de Salvador como a pior saúde da Bahia e acusou o município de pagar o pior piso para os agentes de saúde: “pior saúde da Bahia, e a Polícia Federal está provando isso”.
O discurso duro provocou a ira do deputado Paulo Câmara (PSDB), que subiu o tom:
“Vi aqui deputado que me antecedeu falando de saúde, da empresa de Gentio do Ouro com capital de 100 mil; e porque não falou da empresa hempcare, que pagou R$48 milhões com capital social de R$100 mil? Que conversa é essa fiada para boi dormir, rapaz; fazer politicagem em cima da miséria dos outros… Vamos tratar de trabalhar agora, vamos olhar as pessoas que estão no extremo sul, isso não é hora de fazer politicagem, que se fosse vossa excelência teria autonomia e autoridade para falar da Hampcare. Vá na página 87 do inquérito, verifique que o governo da Bahia pagou mais de R$500 milhões para essa mesma empresa. E vossa excelência vem aqui fazer politicagem? Deveria honrar e dignificar seu mandato e não ficar fazendo desta tribuna prosopopeia. Verifique quando a prefeitura pagou e quanto o governo do estado pagou”, provocou Paulo Câmara (PSDB).

A fala de Câmara foi interrompida pelo líder da Oposição, Sandro Régis (DEM), que, exaltado, questionou várias vezes: “e os respiradores que ninguém sabe para onde foi os R$50 milhões?”.
Debate
Após a fala dos parlamentares, Jacó pediu uma questão de ordem e desabafou: “Não sou filhinho de papai eleito às custas da máquina da prefeitura de Salvador. Me faça uma garapa, eu cobro porque tenho legitimidade. Todos tem que respeitar, ninguém aqui é que melhor que ninguém. Debate de ideia vamos fazer, não vou abrir mão dos questionamentos que a sociedade precisa. Aqui ninguém tem rabo de nada não, tem posição política. Cadê os serviços que foram pagos, as notas?”.

O líder da Oposição voltou a tomar a palavra e acusou o petista de ofender os colegas.
“Ninguém ofendeu deputado nenhum, prestei atenção no que o deputado Paulo Câmara falou, fizemos alguns questionamento. Deputado Jacó gosta muito ofender parlamentares, prefeitos e lideranças políticas. Até prefeitos apoiados da base dele. Inclusive, o deputado Paulo Rangel ligou revoltado criticando deputado Jacó. Ele tem mandato legitimo, mas tem que aprender a respeitar as pessoas. Temos que questionar para depois acusar. Da mesma forma que ele está questionando prefeitura de Salvador, temos direito a questionar R$50 milhões respiradores. Estive no RN, li depoimento dono Hempcare, diz que Bruno Dauster teve lá e quando sentou a mesa nunca tratou respiradores: “emita nota, me dê meus 10% e devolva o dinheiro”. Isso deputado Jacó não sobe na tribuna para cobrar. Oposição nunca usou tribuna agredir nem para apontar o dedo para ninguém”, afirmou Sandro.

O líder do governo reconheceu que ambos os esquemas devem ser apurados: “São dois fatos que merecem explicações à sociedade, mas não acho que deva ser neste momento a discussão neste plenário. Esse não é momento adequado para construir e trazermos esse debate”.



