Parlamentares reagem contra intimação de professora que tratou do Iluminismo em sala de aula

Thales de Azevedo

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Parlamentares reagiram contra o fato de uma professora do Colégio Estadual Thales de Azevedo, localizado no bairro do Costa Azul, em Salvador, ter sido intimada a depor na Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente após denúncias de que os conteúdos abordados em sala de aula seriam de cunho “esquerdista” e de “doutrinação feminista”, nesta sexta-feira (19).

A aluna, que apresentou queixa, estaria incomodada com os temas relacionados a questões de gênero, machismo, assédio, racismo e diversidade, abordados pela professora no Colégio, segundo ela informou à polícia.

“Fui surpreendida com essa notícia absurda de que uma aluna teria denunciado uma professora por conteúdo esquerdista. Isso é inadmissível e é contra a Constituição Federal. É contra a liberdade de o professor defender suas opiniões em sala de aula e, principalmente, passar os conteúdos de suas matérias. É isso que eles querem fazer no Brasil: uma divisão e uma atitude de um Estado policialesco e de censura. Nós dizemos não a essa atitude! E dizemos sim à liberdade, à democracia no Brasil e, por isso, Fora Bolsonaro e sua gente com a escola dita ‘sem partido’, que é uma escola ideológica, com partido de extrema direita”, criticou a deputada federal Lídice da Mata.

A líder da Oposição na Câmara dos Vereadores de Salvador, Marta Rodrigues (PT), que é autora do projeto de lei Escola Livre da Mordaça, que garante a liberdade de expressão dos professores em sala de aula, destacou que o ato é inconstitucional e que o professor goza de liberdade para ensinar.

“Essa circunstância fere gravemente a liberdade de expressão e o direito de cátedra, princípios garantidos na Constituição Federal. É um absurdo que estejamos vivendo essa situação no Brasil e principalmente em Salvador e na Bahia, onde sempre pautamos a democracia e a liberdade de ensino como primordiais. Como dizia o educador Anísio Teixeira a escola deve ser a máquina de fazer democracia. Uma educação de qualidade perpassa pela valorização do professor, o que inclui a defesa de uma docência livre e crítica comprometida socialmente tal como defendia o patrono da educação Paulo Freire.

Marta cobrou apuração sobre o fato: “Isso é uma grave coação. É inacreditável que uma professora, trabalhadora brasileira, seja obrigada a ir numa delegacia para depor sobre o próprio ofício como se fosse um crime. Os professores e professoras são fundamentais para que os alunos aprendam a ler também o mundo. A censura e a mordaça ficaram no passado e não cabem mais em nossa democracia”.

O deputado estadual Alex Lima (PSB) utilizou uma rede social para criticar o contra professora, que segundo ele “fere a liberdade de expressão e a qualidade do ensino”.

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