Rui Costa critica influência de banqueiro dono do BTG Pactual no Banco Central e ataca autonomia: “é em relação ao povo pobre que está catando lixo no caminhão?” 

Rui Costa

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O governador Rui Costa (PT), em viagem aos Emirados Árabes em busca de investimentos, comentou o escândalo do vazamento de um áudio do dono do banco BTG Pactual, André Esteves, revelando sua influência sobre o Banco Central (BC), Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal (STF), durante entrevista à Rádio Metrópole.

A gravação vazada é de uma reunião do banqueiro com investidores realizada na última quinta-feira, (21).

O banqueiro revelou que recebeu uma ligação de Roberto Campos Neto, presidente do BC, no ano passado, pedindo orientação sobre qual deveria ser o piso (lower bound) da taxa de juros brasileira, a Selic: “caiu demais o juros na pandemia, a 2%. O Roberto me ligou para perguntar, onde você acha que está o lower bound. Eu não sei”.

“A imagem de nosso país está muito comprometida. Perguntei ao representante de uma empresa: “a imagem do Brasil está no chão?” Ele me respondeu que está no subsolo. A imagem do Brasil nunca esteve tão ruim como está agora. E um episódio desse, onde um investidor financeiro [Esteves], um banqueiro, confessa em áudio que está orientando, sendo consultado pelo presidente do Banco Central para estipular indicadores econômicos; isso em qualquer país seria motivo para demissão sumária por parte do governo ou de uma convocação do Senado para tomada de posição”, destacou Costa.

Em tom de ironia, Costa ligou o fato ao projeto de Autonomia do Banco Central, que segundo ele serviu para subordinar o país ao Mercado.

“Recentemente se aprovou no Congresso e o STF julgou, a chamada autonomia do Banco Central; aí a gente se pergunta: autonomia de quem, cara pálida? É a autonomia em relação ao povo pobre que está catando lixo no caminhão?  Essas imagens estão rodando o mundo e por onde eu passo as pessoas perguntam se foi no meu estado. As pessoas catando lixo caminhão, nos baldes, é essa independência do BC? desse povo, é desse povo que ele é independente? o banqueiro diz que ele consulta ele todo dia. É uma tristeza o que está acontecendo em nosso país. Aumento de preço, do desemprego, disparada da pobreza. Nossa elite mais perversa, retrógrada, debocha, sorri, trata com desdém. Não estou falando como governador, é como cidadão, isso é algo repugnante, ao lado do sofrimento das pessoas”, desabafou o chefe do executivo estadual.

O governador da Bahia aproveitou o ato para atacar o ministro da Economia, cujo conta milionária em um paraíso fiscal foi revelada por um consórcio internacional de jornalismo: “quando ele disse que a empregada não vai viajar, e ele deveria ter confessado: “meu dinheiro no exterior, no paraíso fiscal, vai aumentar ainda mais”; além de ilegal, estamos falando de uma questão moral. Se o próprio ministro da Economia não acredita em seu próprio país, quem vai acreditar?

Favorito

O banqueiro também apontou no áudio vazado que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), se “ficar calado”, é o “favorito” nas eleições presidenciais de 2022:

“Se o Lula pegar um Meirelles, colocar um Kassab de vice, e falar de meio ambiente, cultura, vai se tornar um favorito. Se nenhum dos dois caminhar ao centro, se Bolsonaro ficar malucão, vai ser alguém de centro-direita. Os dois candidatos ideais são Eduardo Leite e João Doria. Leite é um produto eleitoral com mais novidade, a despeito do excelente governo de Doria. As pautas que levaram Bolsonaro a ser eleito ainda estão por aí. O vento é de centro-direita”.

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