Em último discurso na CPI da Pandemia, Otto atribui a Bolsonaro a autoria do “maior crime contra o povo brasileiro”

Senado Otto

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O senador Otto Alencar (PSD) classificou, durante seu discurso na última sessão da CPI da Pandemia, nesta terça-feira (26), o ato do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), de ligar vacinas Covid ao desenvolvimento da AIDS como “maior crime contra o povo brasileiro”.

Em crítica ao comportamento do presidente, que até hoje segue recomendando remédios ineficazes contra Covid-19, o parlamentar afirmou:

“Combatemos para que não acontecessem, mas que persiste até hoje, e por persistir culminou no maior crime contra o povo brasileiro, que foi a declaração na live do dia 21 de outubro, quando ele coloca de que a vacina, ou as vacinas que estão sendo dadas ao povo brasileiro, a Coronavac que tomei –  tive a doença e ela me salvou a vida -, Pfizer, Moderna ou AstraZeneca, qualquer uma delas que está sendo utilizada, que pode causar AIDS, que é um vírus completamente diferente, chamado HIV, e que não tem nenhuma relação com o vírus causador da Covid, que é coronavírus do grupo beta. Essa foi uma mentira, falta de sinceridade, uma falta de verdade, para a população brasileira assistir aquele momento muito ruim do presidente da República, ao qual os senadores Randolfe Rodrigues e Alessandro Vieira encaminharam ao STF, e que o ministro Barroso encaminhou à PGR”, destacou o senador do PSD e médico, lembrando da ação dos colegas contra o chefe do executivo federal pela declaração.      

No discurso, Alencar fez um breve histórico da CPI da Covid, traçando uma linha e pontuando que desde o início da pandemia da Covid-19, o governo federal, através do presidente da República, agiram de forma negligente e criminosa. Ele cita que os ministros Luiz Mandetta e Nelson Teich foram demitidos porque  “queriam fazer ciência”.

“Demitiu dois profissionais médicos capazes, conhecedores da atividade médica e nomeou o general Pazuello, o Ministério da Saúde, que deveria ser o principal, pela relevância de cuidar da vida das pessoas [na pandemia], passou a ser o ministério comandado por um ministro; que veio aqui depor, perguntei a ele que sabia da área da Saúde e também da doença que estava tratando, e que foi honesto, disse: “não entendo doutor Otto”. Disse: “não entendo e não quero falar para não agredir a medicina e ciência”, pelo menos isso foi honesto. O desempenho dele foi muito aquém do esperado pelo povo brasileiro. A frase de submissão quando o presidente o presidente o aborda, e ele diz: “um manda e outro obedece”; definiu o que foi sua lamentável passagem pelo Ministério da Saúde”. 

Charlatanismo

Otto lamenta que a médica Mayra Pinheiro, apelidada de Capitã Cloroquina, continue ocupando uma secretaria no Ministério da Saúde, já que a mesma atuou contra o fim da pandemia, promovendo o tratamento precoce e negando a ciência. Alencar lembrou do depoimento da médica Nise Yamaguchi, que segundo ele “não existia nenhum conhecimento” sobre o tema “naquele momento” da oitiva. E que os trabalhos buscou entender como “ela estava orientando no gabinete paralelo aqueles que estavam determinando as ações no Ministério da Saúde, sobretudo o ministro Pazuello e o presidente da República”. 

“Tivemos coragem de enfrentar um governo que usou todo tempo a máquina pública para nos intimidar. Agentes do governo treinados para brigar com a verdade. Todos eles de cargos de confiança sentaram na cadeira [da CPI] e faltaram com a verdade, se formou praticamente uma corporação de mentirosos que vinha aqui negar a verdade do que estava acontecendo e fatos ocorridos no Ministério da Saúde. Muitos foram demitidos e substituídos. Um governo que tem competência não pode em dois anos demitir 20 ministros, na saúde quatro e na educação mais quatro, isso mostra a confusão, a fragilidade do governo”, criticou o parlamentar baiano. 

O senador da República eleito pela Bahia destacou que há no relatório uma tipificação criminal que cabe muito bem ao presidente Jair Bolsonaro e ao governo: charlatanismo.

“No relatório há um crime que cabe perfeitamente, que é o crime de charlatanismo; quando se define, para fazer o pé da letra a tradução disso, é mercador de droga, de elixir, que propaga medicamentos sem nenhuma formação na área de saúde e enganado o público. Na história do Brasil e da talvez humanidade, nunca vi uma produção tão grande de charlatões, como aconteceu agora capitaneada e liderada pelo presidente da República, quando ele pega caixa e registra irresponsavelmente no Brasil, nada se compara a isso, porque ele tem seguidores, eles usaram e podem ter morrido, pelo uso desse medicamento ineficaz que pode provocar parada cardíaca”.

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