Bruno Reis avança com a política do mais Bolsonaro e menos Neto

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Eleito com a transferência de votos de ACM Neto, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, não demorou muito para se dissociar do ‘criador’.

A ruptura começou-se a se desenhar ainda nos primeiros dias da gestão de Reis, quando o presidente do Democratas, ainda atordoado com as críticas após perder o controle da bancada federal, que optou pelo candidato de Bolsonaro na eleição para presidente da Câmara, viu seu ex-chefe de gabinete, quem ajudou a eleger-se deputado federal, ser cooptado para ocupar alto posto do executivo federal pelo próprio presidente da República.

Após o ato, Neto interrompeu os diálogos tanto com Jair Bolsonaro como com João Roma; Bruno Reis optou pelo caminho inverso, sem esperar o ‘corpo esfriar’, aproveitou o vácuo deixado pelo cacique e ampliou os laços com Roma, que se tornou o anfitrião da bancada da Bahia e do gestor em Brasília, intermediando direto com o presidente pleitos da cidade encaminhados pelo chefe do executivo de Salvador.  

No racha entre Neto e Bolsonaro, o prefeito de Salvador escolheu quem tem a caneta e não quem poderá tê-la. 

“O ex-prefeito sempre deixou claro que não queria, não iria e não irá indicar qualquer cargo no governo Bolsonaro. Qualquer consequência, a partir dessa relação, você tem que perguntar a Roma e ACM Neto”, disse Bruno Reis, se esquivando de tomar partido no imbróglio à época. 

Silêncio

Em oito de outubro, dia em que o Brasil atingiu a triste marca de 600 mil mortos pela Covid, ACM Neto foi à público, através de uma rede social, culpar o trato da pandemia como “gripizinha” pelo recorde de vidas perdidas: “Desrespeito à ciência + Fake news + Lentidão no começo da vacinação. O resultado é a maior tragédia da nossa geração. Minha solidariedade aos amigos e familiares de cada um dos 600 mil mortos”.

Enquanto isso, Bruno Reis foi a mesma rede social comemorar a Comenda de Ordem ao Mérito de Proteção e Defesa Civil, recebido pela Codesal, posando ao lado do secretário nacional de Defesa Civil de Jair Bolsonaro, o coronel do Exército Alexandre Lucas.

O prefeito de Salvador não tratou dos mortos pela Covid, mas aproveitou a presença do preposto de Jair Bolsonaro para mandar um recado ao presidente: “Aqui coronel, pode levar essa mensagem para o governo federal, a gente reconhece quando é ajudado”.

Sobre o pretexto de ser o único candidato capaz de uma gestão apartidária, Bruno Reis criou fortes elos com o governo Bolsonaro, a ponto de ser atendido em quase tudo que pede, por ser um prefeito parceiro do Jair. 

Em contrapartida, Reis se cala diante dos impropérios da gestão Bolsonaro ou faz críticas discretas, embutidas em longos discursos capazes de passar despercebidas a ‘ouvidos nus’.

Recursos para finalização das obras do BRT, dinheiro para  encostas, ampliação de programas sociais no município, portarias para habilitar equipes de saúde, são inúmeros os atendimentos que Bruno Reis angaria junto ao governo federal em tempo recorde. 

E não é à toa que os prepostos do bolsonarismo, que haviam desaparecidos no último ano da gestão ACM Neto, passaram a frequentar o município em missões oficiais. 

Na semana retrasada, quem esteve na cidade foi o secretário nacional de Defesa Civil, o coronel do Exército Alexandre Lucas, que participou de uma entrega de uma geomanta no bairro do Bom Juá, em Salvador. Na última semana, Bruno Reis recebeu o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o Secretário de Atenção Primária à Saúde – SAPS, Raphael Câmara Medeiros Parente. 

Bruno Reis avança com a política de mais Jair Bolsonaro e menos ACM Neto.

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