Em coletiva, Bolsonaro reforça confiança em Guedes, que usa previsão generosa e volta a pedir para furar o teto: “Brasil crescerá 4%, é uma licença para gastar um pouco mais”

Bolsonaro e Guedes

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O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), fez um pronunciamento ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Ministério da Economia, para acalmar o mercado e dar uma sinalização de que não irá abrir mão do seu “posto Ipiranga”, como costuma chamar o gestor.

Após criticar durante boa parte do tempo as medidas de segurança sanitária, que promoveu, entre outras coisas, o isolamento social, ao qual ele classifica como “política do fique em casa e a economia a gente ver depois”.

“Não faremos nenhuma aventura. Não queremos colocar em risco nada no tocante à economia”, prometeu Bolsonaro, em uma sinalização para acalmar o Mercado que está em ebulição com bolsa em queda e dólar nas alturas.

Sobre Guedes, ele destacou: “é uma pessoa que conheci bem antes da eleição. Nós nos entendemos muito bem e tenho confiança absoluta nele. E ele também entende as aflições que o governo passa. Ele assumiu em 2019, fez o melhor trabalho naquele ano e nossa economia estava indo muito bem, quando começou 2020 a questão da pandemia.”

Guedes

O ministro da Economia reclamou do “barulho” da imprensa e deixou claro que não irá deixar o comando da pasta. Guedes defendeu na entrelinha o singelo furo no Teto de Gastos através de um leve aumento nas despesas: “Eu não pedi demissão. Em nenhum momento eu pedi ou o presidente insinuou qualquer coisa semelhante. Estou errado de não pedir demissão por estarmos gastando R$ 30 bi a mais? Porque em vez de terminar o governo com 17,5% de despesas vamos terminar com 18% ou 18,5%?”.

O ministros voltou a falar em “licença” para furar o teto. Ele reclamou do meteoro dos precatórios aprovado pelo judiciário, ao qual está tentando fatiar e “pagar os menores” em uma PEC para sobrar dinheiro para o ‘Bolsa Família de Bolsonaro’, o Auxílio Brasil.

Contra estimativas do Mercado, ele afirmou que o Brasil irá crescer 4% no ano que vem.

“É uma licença para gastar um pouco mais. A economia brasileira é forte, vigorosa o suficiente para segurar isso. Eu seguro isso. Não tem problema. Posso tirar 8, 7 em fiscal. Nenhum governo saiu gastando menos do que quando entrou. o Brasil vai crescer bem mais do que as previsões que estão sendo feitas. Já temos R$ 500 bi de investimentos encomendados. A capitalização da Eletrobras, acho que vai ser um sucesso, vai acontecer no primeiro semestre do ano que vem. Eu, como ministro da Economia, tenho que lutar pelo teto sim, e lutei até o final. Defendi o IR, defendo [a reforma] tributária, defendo privatizações. Se a gente desacelera as reformas, nossa capacidade de atender o social também é desacelerada” destacou Guedes.

Ele admitiu que a debandada do Ministério da Economia foi mesmo por causa do teto de gastos: “os nossos secretários que pediram para sair, é natural, um é secretário do Tesouro, outro da fazenda, eles querem que fique nos R$ 300, dentro do teto. A ala política, naturalmente, olhando para a fragilidade dos necessitados, disse: “olha, precisamos gastar um pouco mais”.

O ministro anunciou Esteves Colnago como o novo secretário do Tesouro e Orçamento, que substituirá Bruno Funchal que pediu demissão na última quinta-feira (22).

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