“Dizem que tem gente que tem tanta emenda que não tem onde botar e vende a emenda; qualquer hora vai ter outro escândalo como teve dos Anões do Orçamento”, diz Jaques Wagner

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O senador e virtual candidato ao governo da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou, em entrevista à Rádio Metrópoles nesta sexta-feira (22), que o Congresso Nacional se transformou em um grande balcão de negócios que poderá estourar em breve em um novo escândalo da aplicação irregular de recursos públicos.

Com o presidente Jair Bolsonaro fraco e acuado e sem uma base de apoio ideológica, restou sujeitar-se aos fisiológicos. Diante da fragilidade de Bolsonaro, os parlamentares foram à forra elevando o valor do “sim” para projetos e para mantê-lo no cargo: “quando começa a faltar dinheiro na política, falta responsabilidade”

Questionado como avalia o processo de degradação fisiológica do Congresso Nacional, o parlamentar do PT respondeu:

“Me causa desencanto. Fui deputado federal em vários mandatos, ministro do Lula, governador por oito anos, ministro da Dilma e agora sou senador. A degradação na política muito grande, que virou uma coisa sem nem respeito. A conversa de emenda, R$10 milhões, R$20 milhões, R$5 milhões, você vai para o interior da Bahia é a corrida do ouro da disputa entre deputado estadual e deputado federal. Quem não usa desse expediente se sente prejudicado; mas não quer se meter nessa coisa. Realmente o Congresso está domesticado, o atual presidente chegou dando uma de retado e aprovaram lá o Orçamento Paralelo de R$13 bilhões, para à farra da distribuição de emendas para deputados e até para senadores. No senado é ainda é mais controlado, até porque tem muito tem ex-governadores, mas na Câmara, óbvio que não estou agradando a todos, nossa turma que se mata tentar defender [projetos para o país], em geral perde”, pontuou Wagner.

O senador afirmou que em breve o legislativo poderá enfrentar um grande escândalo envolvendo à aplicação das emendas, e citou como exemplo o “Anões do Orçamento”, cujo os envolvidos roubaram mais de R$ 100 milhões públicos, com esquemas de propina, para favorecer governadores, ministros, senadores e deputados.

“Como a relação hoje com prefeitos é de tentar cooptar, óbvio que o prefeito coitado precisa da obra – não vou falar de quem desvia dinheiro que aí é caso de polícia -, ,mas estou dizendo o prefeito direito; tem muitos prefeitos e prefeitas que têm a paixão pela sua terra, que precisa dinheiro fazer uma praça; e o deputado chega, está precisando de quanto? Quer uma perfuratriz, duas, três; dez tratores? Um para cada vereador? E sai distribuindo… São vários os casos. E chega no interior esses tratores vão fazer serviço particular, ser alugado e até venda, já saiu matéria do jornal, qualquer hora vai ter outro escândalo como teve dos anões; porque as pessoas não estão mais ligando pra nada. Dizem que tem gente que tem tanta emenda que não tem onde botar e vende emenda por algum valor – eu não tenho prova, se não estaria aqui lhe trazendo -, o comentário geral é esse. Porque o presidente que era tirado a retado teve que ‘arregar a dita cuja’, entregar o ouro. Qual foi a entrega do ouro? Para segurar o Congresso, não ter impeachment e  ter votação a favor dele? […] Quanto é? Lembra da novela,” cada mergulho era um flash”, no Congresso é assim, cada votação é uma emenda ou emendão; cada votação é um flash chamado emendão. E eu digo aos prefeitos: “prefeito, muitas vezes a mão que traz  emenda para obra bem- vinda é a mão que mete a faca no seu povo, na previdência, no direito trabalhista de seu povo”, pontuou Jaques Wagner.

O Tribunal de Contas da União, ao lado da Polícia Federal, já está fazendo o rastreio das emendas do Orçamento Secreto e segundo o ministro Wagner do Rosário, há muitas irregularidades, e destacou durante oitiva na CPI da Pandemia que “em breve teremos novidades”.

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