Em live, Coronel sinaliza que Reforma do IR não sairá no time de Paulo Guedes, diz que vai trabalhar para cumprir promessa de Bolsonaro e critica pressão político-eleitoreira

Coronel

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O senador Angelo Coronel deu mais uma clara sinalização de que se o governo federal está contando com a aprovação da Reforma do Imposto de Renda para aprovar o Renda Cidadã, é melhor tirar o cavalo da chuva.

Em entrevista ao Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, na noite desta segunda-feira (18), o senador do PSD voltou a dizer que não irá mexer aprovar o texto nos moldes que saiu da Câmara dos Deputados, que segundo ele é uma das piores peças de sua vida.

“Nunca vi uma peça tão ruim durante toda minha vida pública como essa peça que escreveram e deram o número de PL 2337/2021. Não consegui até então uma entidade, uma instituição, uma pessoa física fora do seio do Ministério da Saúde que disse: “excelente pérola”. A única pessoa que elogiou o texto foi o ministro da Economia, Paulo Guedes, com quem estive há 15 dias atrás e cheguei a conclusão aqui com meus botões que ele não leu o texto”, ironizou Coronel.

Pressão

O parlamentar baiano revelou na entrevista que havia acabado de receber uma ligação, minutos antes da live, questionado se ele já teria data para ser apresentado. Ele voltou a dizer que não irá ceder diante de chantagem tributária.

“Há meia hora recebi uma ligação de membros do governo perguntando quando iria apresentar relatório, porque o relatório iria favorecer 17 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza recebendo bolsa família 100 e pouco reais, que precisam reajustar para trezentos e ampliar de 14 milhões para 17 milhões, a famosa chantagem tributária. Querem colocar na minha costas caso o relatório não seja apresentado e votado a tempo, até o dia 31 outubro, quando encerra o prazo do Auxílio Emergencial, querem arranjar um bode expiatório de que a peça irá atender 14 milhões. Eles se equivocaram, tenho dito nas reuniões, palestras, que se o governo quiser, faz um programa temporário 24 meses que não há a necessidade de uma reforma tão açodada. Aumente o bolsa família, já tem a receita no orçamento”, destacou o senador da Bahia.

Coronel explica que por trás da pressão para aprovação da Reforma há na verdade uma uma manobra político-eleitoreira e não meramente econômica, o que se quer é mudar o nome do Bolsa Família e não vitaminá-lo.

A mudança do nome do maior programa social do Brasil terá um impacto simbólico, ao extinguir um dos maiores legados dos governo do Partido dos Trabalhadores, a marca Bolsa Família, que mudará para Renda Cidadã.

“O que o governo quer é criar uma rubrica para fazer frente a um programa com nome próprio. Está havendo uma certa vaidade de nome, o governo federal não quer continuar com o nome Bolsa Família, ele tem que mudar o nome para Renda Cidadã, essa é a vontade do planalto; eu acho isso uma falácia, uma besteira, porque o que o povo quer lá na ponta é receber o benefício, não quer saber qual nome ele vem, mas a vaidade continua imperando… O Bolsa Família tem que morrer para criar um programa novo que tem que ter a marca, isso para mim é brincar com a capacidade das pessoas”, criticou Angelo Coronel.

Promessa

O senador deu um ultima e em tom de ironia, disse que tentará através do projeto cumprir uma promessa do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido): Eu peço números para Receita Federal é um pinga, pinga, chega a contas gotas, mas estou oficiando para que eles me deem os dados. O que representa ampliar a faixa de isenção para 5 mil? Na campanha do presidente alardeou que faria isso, estou fazendo um desejo do presidente Bolsonaro aumentando a faixa de isenção para o presidente. Eles estão achando que essa peça eleitoreira vai querer convencer os brasileiros; olha, até os que estão na faixa de R$2.500, como está no texto, não vi uma voz aplaudido”. 

O político deu um ultimato ao governo e mandou um recado ao mercado:

“Não se pode botar esse projeto nas costas de 100% dos contribuintes brasileiros, não vai contar com minha caneta para assinar um relatório nos moldes que veio esse projeto da Câmara, já falei com o presidente Arthur Lira e com o líder do governo, Fernando Bezerro. Aqui na Bahia tem uma fase correta: “devagar com o andor porque o santo é de barro”. Não dá para fazer um relatório com a pressão e a pressa que eles querem. Quero tranquilizar o mercado e o nosso profissionais liberais, que fazer parte da economia, pagadores de impostos, fiquem tranquilos, não vou apresentar um relatório com o que está incluso com o que veio na Câmara. Eu não vou contribuir maior contencioso jurídico da história desse país”, destacou Angelo Coronel.

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