Uma carta da Trident Trust, agente financeiro responsável pela gestão da offshore Dreadnoughts International Group Limited, informa que o ministro da Economia, Paulo Guedes, permaneceu como diretor da companhia de 24 de setembro de 2014 até 21 de dezembro de 2018.
O documento, obtido em primeira mão por O Antagonista, foi solicitado pela defesa do ministro da Economia e encaminhado hoje pela Trident.
Em evento do Itaú BBA, nesta sexta-feira (8), Guedes rompeu o silêncio sobre o caso da offshore, revelado no último domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).
“Sobre ‘offshore’, elas são legais. Ela foi declarada, não houve movimento cruzando as fronteiras, trazendo dinheiro do exterior ou mandando dinheiro ao exterior. Desde que eu coloquei dinheiro lá, em 2014/2015, eu declarei legalmente. Qualquer dinheiro que está lá, é gerenciado de forma independente. Minha ação não tem influência nenhuma. Eu sai da companhia dias antes de vir para o cargo de ministro. Perdi muito dinheiro registrado aqui exatamente para evitar problemas como esse. Tudo o que estava ao meu alcance de investimento eu vendi tudo pelo valor de investimento. Eu perdi muito mais do que o valor da companhia que está declarado legalmente lá fora. É permitido, não fiz nada de errado” ressaltou Guedes.
A Dreadnoughts International Group Limited possui como sócias do ministro a mulher, Maria Cristina Bolivar Drumond Guedes, e a filha, Paula Drumond Guedes. A empresa, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, tem patrimônio de US$ 9,55 milhões, em conversão direta, cerca de R$51 milhões.

O Antagonista mostrou no início da semana que o grupo Hospital Care Caledônia, rede de hospitais da gestora Crescera, da qual Guedes foi sócio, quase triplicou de tamanho durante a pandemia e prepara IPO de R$ 1 bilhão. A ex-gestora de Guedes também investiu pesado no mercado funerário.



