O advogado Tadeu Frederico de Andrade afirmou, durante oitiva na CPI da Pandemia nesta quinta-feira (7), que foi internado em um dos hospitais da Prevent Senior, com Covid-19, e intubado e designado pelos médicos. Uma médica de pronome Daniela chegou a ligar para sua família comunicando que ele seria para um leito onde receberia o tratamento precoce, aliada com morfina, para ter um morte mais tranquila.
“No caso fiz uma tele-consulta, a médica indicou…não chamou de kit Covid. Ela chamou de tratamento precoce. Eu, como leigo, fiquei cinco dias tomando. Ao invés de melhorar, eu piorei. Acho que isso é que foi o erro. Eu fui internado uma semana depois já com a pneumonia avançada. Tomei sem autorização da minha família. Era a prática da Prevent Senior para eliminar pacientes de alto custo. Sou testemunha viva da política criminosa dessa corporação e seus dirigentes”, destacou o ex-paciente da operadora de Saúde.
Na lista de medicamentos tomados pelo paciente estavam cloroquina e flutamida, medicamento indicado para tratar câncer de próstata.
“Não tem eficácia nenhuma, e nem estudo para uso em paciente Covid”, disse o senador Otto Alencar.
Andrade ficou 30 internado na UTI e passou por 90 dias de fisioterapia para se recuperar de Covid.
O ex-médico da Prevent Senior, Walter Correa de Souza Neto, fez um debate ainda mais contundente, revelando como havia uma ordem da empresa para prescrição obrigatória dos medicamentos do kit covid para pacientes que entrassem com coronavírus, havia inclusive médicos paliativistas no setor de emergência da empresa, para receita os remédios sem eficácia para tratamento dos pacientes contaminados pelo vírus respiratório: “Não havia autonomia médica. Se não prescrevesse, era demissão. Mas foram poucos casos. Os demais cederam à pressão. Quem era que iria se atrever a não se prescrever? Foram poucos… Muitos prescrevia e pedia para o paciente não tomar”.
O médico afirmou que no início da pandemia ele e outros colegas foram proibidos de usar máscara para não assustar os pacientes.
“Já tinha estourado um surto de Covid numa das unidades. Eu cheguei para trabalhar na unidade e já estavam alguns colegas já indo pra intubação, eu fiquei com medo da doença. Falei: ‘Vou pegar uma máscara”. Coloquei uma máscara N95 e fui trabalhar com a máscara N95 no consultório. A coordenadora entrou no consultório e falou: ‘Ó, você precisa tirar a máscara’. Aí eu falei: ‘Pô, mas como eu vou tirar a máscara? Pra mim é proteção. Eu não posso ficar sem máscara. “Então, assim, a falta de autonomia é tanta que você não tem autonomia pra proteger a sua própria vida”, desabafou Walter Correa de Souza Neto.
O profissional da Saúde também denunciou receitas prontas com indicação de kit covid que eram distribuídos por enfermeiros, que por muitas vezes faziam o atendimento.



