“O Democratas foi convidado a indicar o vice-presidente de Bolsonaro em 2018 e eu nem sentei na mesa para tratar do assunto”, revela ACM Neto

ACM Neto

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O presidente nacional do Democratas, ACM Neto (DEM), ao invés do que tem acontecido com políticos antigos aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não citou arrependimento em ter votado no atual presidente em 2018.

“Naquelas circunstâncias, meu voto foi aquele e ponto. De lá para cá, olhando na projeção de futuro, eu sonho que o Brasil tenha chance de enxergar alternativas que não nos coloque nesse quadro de polarização”, afirmou ACM Neto em entrevista ao OUL, nesta segunda-feira (4).

Questionado sobre independência do partido em relação ao governo, o político revelou um fato ainda desconhecido, o convite formal coma entrega da vice-presidência para legenda que preside, que não foi aceita pelo partido por Bolsonaro ser à época um azarão e pela sigla já ter decidido apoiar Geraldo Alckmin, acordo que manteve: “O Democratas foi convidado a indicar o vice-presidente de Bolsonaro em 2018 e eu nem sentei na mesa para tratar do assunto”.

Ao ser interpelado em quem votaria em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, Neto negou mais uma vez em emitir uma opinião: “como presidente do partido não posso dar essa resposta, preciso acreditar no meu grupo político, na capacidade de construir algo diferente. É por causa dessa pergunta que está sendo colocada, é Lula ou Bolsonaro, que as pessoas não despertaram para hipótese de uma outra alternativa”.

O ex-prefeito de Salvador acredita que o partido a ser criado com a fusão do DEM-PSL, o União Brasil, poderá oferecer essa candidatura alternativa, a chamada 3º via, já que contará com ao menos três nomes fortes: Datena, Rodrigo Pacheco e Henrique Mandetta.

“Um novo nome que seja consolidado, uma alternativa que não seja Lula ou Bolsonaro, e que seja viável, só vai acontecer na eleição, depois que a campanha começar. São nomes que não tem uma larga popularidade, conhecimento, como Lula e Bolsonaro tem por motivos óbvios, os outros terão que construir. O desejo do partido é ter candidato próprio, se vamos conseguir viabilizar isso, não sei, não tenho bola de cristal”, pontuou Neto.

Ele voltou a alfinetar o governador de São Paulo, João Doria, ao tratar das prévias do PSDB: “ninguém pode colocar projeto pessoal a frente de construção coletivas. Um nome que surja e que precisa empolgar o Brasil, é preciso ter uma construção coletiva. Acho que João Doria, se for escolhido nas prévias do PSDB, não sou tucano, não me meto nisso, ele vai querer impor uma candidatura à presidência”. 

Questionado sobre como avaliação do governo Bolsonaro até hoje, o presidente do Democratas foi taxativo ao dizer que é mais negativa do que positiva.

“Minha avaliação em relação ao governo é muito mais negativa do que positiva. O governo acertou em algumas coisas, especialmente na agenda econômica, quando avançou reforma da previdência, privatização empresas públicas, que não têm sentido mais de continuarem como empresas públicas. Quando sinaliza o desejo de uma reforma administrativa que reorganize o estado brasileiro.  Porém, os erros são muito maiores que os acertos. A  questão da pandemia nem se fala. Educação; observe, o ministro da educação é uma figura tão irrelevante que muitos de nós sequer sabe o nome dele, uma pauta que precisava ter todo foco de prioridade, um vitória na educação hoje é exatamente não ter agenda ideológica, que gere polêmica, e não pode ser por aí. A imagem do Brasil lá fora está muito arranhada, política ambiental equivocada. Fato de ter postura crítica, de avaliar o governo mais negativamente que positivamente, não me impede de registar pontos positivos”, destacou Neto.

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