A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia ouvirá na próxima semana personagens chaves para fechar o quebra cabeça envolvendo a seguradora de Saúde Prevent Senior, alvo da CPI da Pandemia pela criação de protocolos de tratamento precoce que era imposto aos seus funcionários, o que segundo investigações teria provocado a morte de centenas de pacientes.
Na sessão da próxima terça-feira (28) estará no banco dos depoentes da CPI a advogada Bruna Morato, representante dos médicos que elaboraram um dossiê contra a Prevent Senior. Na quarta-feira (29),, quem prestará depoimento é o empresário bolsonarista Luciano Hang, dono das lojas Havan, suspeito de ter sido leniente com o tratamento precoce que provocou a morte da própria mãe aos 82 anos, em fevereiro, no hospital Sancta Maggiore.
Segundo o senador e médico Otto Alencar (PSD), documentos sob posse da CPI da Covid mostram que havia um protocolo interno da rede para priorizar o chamado tratamento precoce para pacientes que davam entrada com Covid-19. Os documentos mostram que os pacientes eram induzidos a deixarem UTI e semi UTIs com a promessa de que teriam melhora do quadro com tratamento precoce. Aos que morria pela ineficácia do tratamento, suas certidões de óbito eram alteradas para outras doenças, como uma manobra para ocultar provas.
“Vamos ouvir Bruna Morato, advogada representante dos médico que não aceitaram realizar o tratamento inadequado e, acima de tudo, paliativo para pacientes que tinham todas as chances de sobreviver; como sobreviveram muitos que não aceitaram de maneira nenhuma sair da UTI ou de uma semi UTI com chance de vida para fazer tratamento com paliativos. Temos provas, temos áudios, documentos, diversas provas de que médicos e médicas induzindo avaliações de pacientes para mudarem de tratamento. Há provas de pacientes que saíram vivos, que sobreviveram ao corredor da morte e denunciaram”, destaca Alencar.
Tratamento
Segundo o parlamentar, médicos que se recusaram a atender ao protocolo com medicamentos do chamado kit Covid foram demitidos.
Otto explica que hospitais da rede Prevent Senior eram utilizados como uma espécie de laboratório do tratamento precoce, e era citado como referência por médicos e parlamentares defensores do tratamento precoce por isso, inclusive pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).
“A Prevent Senior tem ligação com o gabinete da sombras, temos vídeo de Eduardo Bolsonaro com doutor Pedro Batista (presidente da Prevent Senior) e com o doutor Paulo Zanotto (médico defensor do tratamento precoce). Temos vídeos do presidente que diz em viva voz que a Prevent Senior estava fazendo um trabalho importante com o uso da azitromicina e da hidroxicloroquina; isso é sério, temos vídeo dele elogiando. Nós não iríamos fazer uma denúncia dessa natureza sem provas, está tudo documentado. Eles usavam a rede como um grande laboratório para uso da cloroquina, hidroxicloroquina e os medicamentos que não funcionam”, reforça o médico senador.
Otto Alencar (PSD) cita que o lucro da rede cresceu de forma exorbitante no período da pandemia, alcançando a cifra de R$ 4.4 bilhões no último ano. Ele acredita que o trabalho da CPI da Covid dará conta de responsabilizar no relatório final os responsáveis da Prevent Senior pelas ações que levaram à morte centenas de brasileiros.
Bolsonaro
Questionado se o presidente da República estará entre os responsabilizados pela CPI, o parlamentar baiano foi categórico ao afirmar que sim, mas não será responsabilizado apenas por investigações no âmbito da Prevent Senior, mais por ações e omissões na condução da pandemia no Brasil.
“Ele deve constar entre os denunciados, temos clareza disso. Ele foi o presidente do gabinete das sombras e continua até defendendo o tratamento precoce. Agora, nos EUA [durante Assembleia Geral das Nações Unidas] ele defendeu a cloroquina e mandou a esposa tomar vacina. O problema do presidente é que ele é um gerador permanente de crise. Foram tantos palavrões, agressão contra a imprensa, o STF, que ela passou a ser uma figura considerada do ramo das crises, ele é um meio da cultura de crises do Brasil, e, ainda tem no meu ponto de vista um agravante, tem um pé-frio muito grande. Além de enfrentar crises gestadas por ele mesmo, no período dele aconteceu diversas crises: Pandemia, crise energética, hídrica, inflação, aumento do dólar, dos juros e queda da bolsa; então, de alguma forma, ele é um sujeito azarento”.



