Deputado federal licenciado e ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro (sem partido), João Roma (Republicanos) é o entrevistado desta semana do Papo OFF News.
Figurando como terceira via nas pesquisas de intenção de voto ao governo da Bahia e apontado pelo senador Jaques Wagner como seu possível principal adversário na disputa do próximo ano, em um cenário de polarização entre o candidato do ex-presidente Lula e de Bolsonaro, Roma falou sobre candidatura, eventual aliança com o presidente do Democratas, ACM Neto, e sobre os planos de Bolsonaro para 2022.
Ministro João Roma, essa semana houve uma especulação na imprensa de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, não irá buscar à reeleição. Existe a possibilidade de Bolsonaro não ser candidato em 2022?
Acho muito improvável. O presidente tem conseguido transformar a realidade do Brasil, tem se consolidado como verdadeiro representante da nossa população e, como líder político, tem traduzindo os seus anseios. O caminho natural é o do presidente concorrer à reeleição no próximo ano.

Ministro, o senhor aparece em terceiro lugar nas intenções de votos. O senhor sustentará sua candidatura ao governo da Bahia até o fim?
Eu nunca declarei que sou candidato no próximo ano. No momento eu tenho me dedicado a esse que é o maior desafio que a vida pública me apresentou até o momento, o de, como ministro, contribuir para melhoria da vida dos brasileiro. O que tenho comentado é que o presidente Bolsonaro tem sido generoso, carinhoso e eficaz em suas ações na Bahia, que estavam por décadas esquecida. Portanto, como seu ministro e o meu partido, o Republicanos, ser base do governo, é natural que estejamos dando suporte na caminhada do presidente à sua reeleição no próximo ano. É essencial que o presidente tenha palanque no 4º maior colégio eleitoral do país, mas nunca disse que sou candidato. Muitas coisa podem ocorrer, indo além do papel, gestor, falando como representando, deputado federal, personagem da política, não me furtarei a estar defendo interesses da Bahia. Candidatura é algo que precisa ser construída, inclusive com os vários atores, entre eles os partidos políticos, a começar pelo meu, o Republicanos, e entre os vários outros vetores que querem transformar o estado da Bahia.
O senhor fala de diálogo com partidos. Estaria disposto a abrir conversas com o presidente nacional do Democratas, ACM Neto, que é pré-candidato ao governo da Bahia, para receber apoio ou apoiar?
Eu acho que política é construção, sempre fui uma pessoa de diálogo, busco e atuo através do diálogo. Converso com vários atores, tanto na construção de políticas públicas como de alternativas de palanque. Semana passada, por exemplo, recebi o Eduardo Suplicy, para uma conversa sobre programas sociais. Recebo diversas personalidades da política, membros de partidos, dialogar é um dos pilares da política, não tenho restrição, não faço política de restrição, faço de construção. Agora, existem certas premissas precisam estar estabelecidas para o diálogo. Em 2022 estaremos defendendo um projeto, precisa de alternativas que contribuam para a consolidação desse projeto, que tem como princípio a reeleição de Bolsonaro.

Fala-se no meio político que sua candidatura é uma espécie de chantagem para conseguir um lugar privilegiado na chapa de ACM Neto, trocando apoio por vaga ao Senado Federal ou a vice-governador. O que diz dessas acusações?
Refuto completamente esse tipo de raciocínio. Não tem nenhum fundamento. Estou tratando de um projeto mais amplo, não de busca por acentos.
O senador Jaques Wagner (PT), pré-candidato ao governo, disse que a tendência é que ocorra uma disputa polarizada entre ele e senhor, como reflexo do cenário nacional que, ao que tudo indica, terá o ex-presidente Lula contra Jair Bolsonaro. O sr. Acredita nessa tese?
“A eleição vai ser polarizada. É natural que as eleições gerais sejam nacionalizadas, uma vez que diferente das eleições municipais, que é descolada de outros processos, que tendem a se discutir questões mais locais. O cenário atual sinaliza para uma polarização de palanques, com Bolsonaro de um lado e o PT de outro. É natural que essa polarização interfira nas eleições estaduais, como tem ocorrido na Bahia, vide as últimas quatro eleições estaduais. Na política tudo é possível [Em relação à tese de Wagner]. Palanques estaduais que não estiverem sedimentados num vetor ou em outro poderá ficar no limbo da discussão, do cerne eleitoral próximo ano, uma vez que termina perdendo esse vetor de força de corrente política nacional.



