Exclusivo: Em meio à crise no MDB, Colbert Martins enfrentará novas CPIs contra sua gestão

Colbert Martins

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Em menos de um ano de mandato, o prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins (MDB), enfrentará, a partir desta quinta-feira (23), a 2º Comissão Parlamentar de Inquérito contra o seu governo.

Um dia após retomar os trabalhos da CPI da Cesta Básica, que apura denúncia de um suposto uso eleitoreiro da Secretária de Desenvolvimento Social do município, através da distribuição de gêneros alimentícios nas eleições do ano passado, a Câmara Municipal de Feira abrirá na sessão de hoje uma CPI para investigar irregularidades na Saúde, envolvendo as contratações via cooperativas de prestação de serviços para unidades de Saúde e o contrato de consultoria feito pelo município junto à cooperativa do atual secretário de Saúde, Marcelo Moncôrvo Britto, ao custo de R$ 200 mil mês, com comprovação de pagamento de duas parcelas.

“Hoje será lido o requerimento de instalação da comissão da Saúde, que tinha um requerimento protocolado na Casa para investigar a contratação de mão de obra terceirizada, e que será acrescentada as denúncias trazidas pelo vereador e presidente Fernando Torres, protocolada ontem, em substituição do 1º requerimento. Essa CPI seguirá o novo roteiro regimental, com a escolha de membros pela Mesa Diretiva”, destacou o vereador Sílvio Dias (PT), vice-presidente da Casa.

A criação da nova comissão de inquérito tende a aumentar o desgaste para gestão Colbert Martins (MDB), que está em pé de guerra com o legislativo municipal, comandado por um antigo aliado e agora opositor ferrenho, o vereador Fernando Torres (PSD). Nos últimos meses, exonerações de indicados de vereadores promovidas pelo prefeito da Princesa do Sertão gerou uma debandada de parlamentares em sua base e acirrou ainda mais os ânimos na Casa.

Como agravante, a mudança regimental citada pelo vereador do PT deve impedir a escolha de parlamentares ligados ao prefeito para composição da CPI, já que a nova redação incube à Mesa Diretora a escolha de membros para CPI, órgão esse que é controlado pelo presidente da Casa e composta por vereadores aliados.

Não bastasse o clima hostil com a Casa Legislativa do município, Colbert ainda enfrenta problemas no seu partido, estando em rota de colisão com o presidente da legenda em Salvador, o vereador Geraldo Júnior (MDB), que articula para destituí-lo do controle da legenda em Feira de Santana, após Martins barrar suas indicações políticas na cidade, afetando assim o seu plano para ampliar sua base eleitoral de olho em uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem.

Desdobramentos

A onda de CPI contra o chefe do executivo de Feira não acabará com a instalação da CPI da Saúde, nas próximas semanas deverá ser instalada também uma CPI para apurar se houve um uso político eleitoreiro de contratos do município com cooperativas que prestam serviço de transporte, como contrapartida por apoio nas eleições de 2020.

As secretárias investigadas representam o coração da gestão Martins, que poderá estar entre os alvos de denúncias aos órgãos de controle nos relatórios a serem constituídos.

“São as principais secretarias de governo, teremos três secretarias sendo investigadas, o que deve por óbvio gerar um desgaste político grande. Agora, a avaliação que eu faço é de que CPI é instrumento da Oposição, que via de regra é minoria, e que só consegue ser instaladas em governos fracos, como é o caso de Feira. O governo é fraco, não tem legitimidade política, tanto é que até membros do partido do prefeito o rejeitam, como presidente da Câmara de Salvador anunciou inclusive desconhecer quem é o prefeito de Freira de Santana”, ironizou Dias.

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