Em depoimento à CPI da Pandemia, o sócio presidente do FIB Bank, Roberto Pereira Ramos Júnior, recebeu da Precisa Medicamentos R$350 mil para atuar como garantidora financeira da compra da Covaxin: “o custo da emissão dessa carta foi de R$500 mil,s eles pagaram R$350 mil na emissão da carta”.
“Pagaram 350 para um empresa que não tem um pau para dar no gato; Não teria 80 milhões para devolver ao governo brasileiro caso essa operação não se concretizasse e não fosse feito o transporte. O que não iria acontecer, a Precisa não ia colocar uma vacina aqui. Como é que vocês avaliam uma empresa de 80 mi sem saber como estava sendo o contrato, se a empresa era seria, como foi que a precisa chegou ao Fib Bank para serem avalizadas pelo ser e os senhores darem os R$80 milhões? Vocês pegam qualquer empresa que dão o chambão e entregam a carta, está aí, avalizado. Não é possível, você n]ao vai avalizar os R$80 milhões sem conhecer”, questionou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD).
O dono do FIB Bank afirmou que apesar de ter feito negócios com a Precisa, ele não conhecia Francisco Emerson Maximiliano, dono da empresa, que descobriu quem era “pela mídia”. Maximiliano virou investigado da comissão de inquérito que investiga as ações e omissões do governo federal na condução da pandemia.
O FIB Bank, que não é banco, mas uma garantidora financeira sem registro nos órgãos bancários, seria responsável por assegurar que a Precisa teria recurso para entrega as 20 milhões de doses, no valor de R$1.6 bilhões. O FIB Bank forneceu à Precisa Medicamentos uma fiança de R$ 80,7 milhões como garantia para o contrato com o Ministério da Saúde para a venda da Covaxin. O contrato foi cancelado pelo Ministério da Saúde em junho.
O capital social declarado pelo FIB Bank, de R$ 7,5 bilhões, é composto por quatro grandes terrenos. Apesar do valor suntuoso, Rmos Júnior disse que o tamanho da empresa era pequeno e que a maior dos funcionários são contratados como prestadores de serviço.
Terrenos
O Ministério Público do Paraná alega que três dos terrenos declarados pela empresa sequer existem e o quarto, o de maior valor, está enrolado na Justiça Estadual de São Paulo, segundo apurações da revista Crusoé.
A FIB Bank faz parte de um grupo de empresas controladas indiretamente por Marcos Tolentino, “amigo pessoal” de Ricardo Barros.
“Enquanto o latifúndio bilionário segue enrolado em tribunais paulistas, os restantes 300 milhões de reais incorporados ao capital do FIB Bank pela empresa Pico do Juazeiro são igualmente incertos. O problema é que os três terrenos são propriedade de outra empresa, a Sabe Agropecuária, que tem como único sócio, atualmente, o empresário Marino Becker, que entrou recentemente para o negócio; um dos sócios antigos da empresa, Maurílio Dombeck, faleceu em 2020. O Ministério Público do Paraná está convencido de que as áreas sequer existem e fazem parte de um conjunto de matrículas registradas de forma irregular pelo cartório de Castro, obedecendo a uma decisão judicial de 1976”, diz matéria da Crusoé.



