Parlamentares reagiram às agressões do secretário de Saúde da Bahia, Fabio Villas Boas, contra empresária Angeluci Figueiredo, proprietária do restaurante Preta, em Ilha dos Frades.
No último domingo(1), o secretário foi até o estabelecimento comercial em Ilha dos Frades e, encontrá-lo fechado, mandou mensagens ofensivas e machista para cozinheira responsável pelo local, que é premiada e reconhecida pela culinária da Bahia.
“Esqueça de me ver de novo aqui. E ainda paguei 350 reais pra desembarcar… Recebe 30 mil de mesada de Suarez e não precisa trabalhar”, diz. “Amigo o caralho! Vagabunda”, completa o secretário no aplicativo de mensagens Whatsapp. Em resposta, Angeluci afirma que o secretário é “racista” e “misógino”, após cogitar que a conta possa ter sido clonada: “O que autoriza uma autoridade, no exercício de uma função pública das mais relevantes do estado – a de secretário de Saúde do Estado da Bahia, e durante uma pandemia, o que torna a sua função sinhá mais responsável – chamar uma mulher de VAGABUNDA?”, escreve Angeluci, em conversa ao qual o Metro 1 teve acesso.
O secretário usou uma rede social para fazer uma mea culpa e tentar justificar os ataques.
“Machismo e misoginia são as únicas coisas que levam alguém a chamar uma mulher de vagabunda. Um homem raramente recebe tratamento similar e, quando acontece, a conotação nunca é a mesma. É lamentável que essa seja uma palavra tão banalizada, porém reveladora do modo como a sociedade trata a mulher. Lamentável também o episódio como um todo, principalmente por envolver uma autoridade pública. Toda a minha solidariedade à Angeluci”, ressaltou a vereadora Ireuda Silva (Republicanos), presidente da Comissão de Mulheres da Câmara Municipal de Salvador.
Quem também se manifestou criticando o comportamento do gestor da Saúde da Bahia foi a líder do bloco de Oposição da Câmara Municipal de Salvador, Marta Rodrigues (PT), que destacou que ao tratar: “esta agressão atinge a todas nós”.
A parlamentar reitera que a “luta é constante pelo respeito às mulheres em suas casas, em seus trabalhos e em suas vidas”, e garante que “o machismo não mais passará despercebido”.
Apesar de criticar o comportamento do médico, a parlamentar do PT destaca que o reconhecimento do erro, feita pelo secretário, é um importante passo para mudança de comportamento no trato com as mulheres.
“Minha solidariedade a Angeluci Figueiredo por ter sido vítima dessa agressão, consequência do machismo que nós mulheres cotidianamente sofremos. Precisamos combater o machismo sem pestanejar, independentemente do lado que ele parta. Mais do que se desculpar, é importante que ele reflita sobre seu ato e assuma que teve uma atitude machista, pois este reconhecimento é fundamental partindo de uma pessoa pública, pois reverbera e colabora para combatermos o machismo na sociedade”, destacou Marta Rodrigues.





