No dia 31 de maio, o então vice-líder do Patriota na Câmara Municipal de Salvador, Átila do Congo (Patriota), utilizou a tribuna da Casa Legislativa para anunciar sua desfiliação do partido pelo qual se elegeu.
O motivo, a entrada do senador e filho do presidente da República, Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), na sigla.
“Não componho ideologia partidária e mediante a quase meio milhão de pessoa que perderam suas vidas mediante a negligência de um governante. À exemplo de Joilson, conhecido como Jojo, meu amigo motorista por aplicativo que perdeu a vida porque não estava vacinado. A CPI está aí, ele (Bolsonaro) recusou as vacinas. Agora quer trazer a Copa América para matar mais porque não tem vacina suficiente, temos aí 28 mil trabalhadores autônomos rodando carro por Salvador e estão de cara com a doença, não posso admitir permanecer na mesma sigla desse irresponsável”, criticou o vereador à época.
No dia 30 de julho, dois meses depois do anúncio do desembarque e do discurso crítico, o vereador posta uma foto ao lado da sua colega de partido, Roberta Caires, e do novo presidente da sigla, Alexandre Marques, anunciando que será o novo presidente municipal da legenda a qual Flávio Bolsonaro é filiado.

A indicação de Átila é reflexo de um motim nacional que resultou no afastamento do presidente Adilson Barroso, defensor da filiação e entrega do partido para Jair Bolsonaro, por um movimento organizado pelo então vice-presidente da legenda e atual presidente interino, Ovasco Resende.
Foi Rezende quem escolheu Alexandre Marques, do diretório de Lauro de Freitas, que por sua vez escolheu Átila do Congo para o comando do partido na capital.
Mudança
Do Congo firmou um acordo na esteira do racha, já que antes do afastamento era aliado de Adilson Barroso.
Segundo uma fonte do Patriotas, que preferiu não se identificar, o vereador de primeiro mandato era crítico de Ovasco e de Alexandre, no período em que era aliado de Barroso e braço direito de Jean Sacramento.

Jean, ex-presidente municipal do Patriotas, migrou para o Pros após guinada bolsonarista da sigla.
Apuração do OFF News com membros da legenda dão conta de que a gestão de Ovasco Resende está com os dias contados, já que Barroso deve conseguir nos próximos dias uma liminar restabelecendo o seu mandato como presidente da legenda: “uma a duas semanas no máximo”.
Átila já havia tentando assumir o comando do Patriotas, mas seu nome não era aceito por membros, lideranças ligadas ao partido e nem pelos vereadores, principalmente Sandro Bahiense (Patriotas), que teve mais votos do que ele na eleição.
“Em março ele fez um discurso criticando, dizendo que ia sair por causa de Flávio Bolsonaro. Depois que muitos saíram da legenda e que houve o racha nacional, que Ovasco assumiu o partido, ele, que era aliado de Adilson Barroso, firmou aliança com Ovasco e com Alexandre Marques, duas pessoas que antes ele criticava duramente”, afirmou o membro do Patriota.
A fonte avalia que na ânsia pelo poder, Átila do Congo deu um passo em falso, o que coloca ainda mais em xeque sua credibilidade junto ao grupo.
“Esse movimento para assumir o partido foi uma coisa dele com Alexandre, não consultou ninguém. Agora, se ele fez isso confiando que iria se manter no comando, ele errou, deu tiro no pé. Adilson retomará o partido e ele e Alexandre irão sair. Alexandre é defensor da candidatura de Jaques Wagner ao governo da Bahia, e o que me assusta é ver Roberta Caires, a menina dos olhos de Neto, posando ao lado do cabo eleitoral de Jaques Wagner, rival de ACM Neto”, pontuou o membro do Patriotas ao OFF News.



