O veto do presidente da República ao projeto de lei que facilitaria o acesso a remédios orais contra o câncer indignou os parlamentares médicos baianos.
O PL 6.330/2019, do senador Reguffe (Podemos-DF), iria beneficiar mais de 50 mil pacientes que poderiam realizar o tratamento em casa, sem necessidade de internação hospitalar.
“Mais um absurdo do governo Bolsonaro. É claro que, mais uma vez, entre o lucro dos empresários de um lado e a saúde da população do outro, Bolsonaro fica com o lucro de uma pequena elite que comanda os planos de saúde no nosso país”, criticou o deputado federal Jorge Solla.
Solla avalia que o ato de Bolsonaro não é novidade, e cita o comportamento negligente de Bolsonaro no trato com a pandemia como prova de que ele não se importa com os brasileiros: “Mais uma vez o Bolsonaro fica contra a saúde e a vida da população brasileira, da mesma forma que ele tem sido maior aliado do vírus, ele agora é um aliado do lucro dessas empresas privadas em detrimento da vida da saúde dos pacientes com câncer”.
Em conversa com apoiadores, na manhã desta terça-feira (27), Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que vetou o projeto por conta dos parlamentares não terem indicado no texto uma fonte de custeio.
“Um pedaço de papel, se não tiver responsabilidade do que está escrito nele, não ajuda em nada a gente. Estou apanhando porque vetei esse projeto, que tratava do câncer, mas o parlamentar não falou quem vai pagar a despesa”, justificou Bolsonaro.
“É uma coisa errada que ele fez. Ele não tem nenhuma sensibilidade com as pessoas que precisam de ações eficientes na saúde. Basta ver o que está fazendo com a covid, não queria comparar vacina, sensibilidade política nenhuma perceber as dificuldades sociais na área da saúde. Ele é o que se chama de coração de pedra”, críticou o senador Otto Alencar (PSD).
Investimento
O senador baiano, que é formado em medicina, criticou os argumentos de Bolsonaro no veto, ao lembrar que para custear o tratamento do câncer ele alega não ter recurso, mas para distribuir hidroxicloroquina e obrigar o Exército Brasileiro a produzir, tinha verba: “a cloroquina era receita dele para o povo, aí tinha dinheiro”.
O parlamentar do PT avalia que o veto de Bolsonaro além de prejudicar os pacientes, também prejudica o sistema de saúde como um todo, já que o PL teria como resultado em médio e longo prazo, evitar o custo com internações e tratamento em hospitais.
“E olha que se você for observar, até a médio e longo prazo, com certeza os benefícios, além de diretamente para os pacientes, também teriam benefícios ao sistema, porque você reduziria os intercorrências, reduziria os internamentos, reduziria o tempo do tratamento e uso inclusive de tratamentos até mais caros no ambiente hospitalar”, reforçou Jorge Solla.



