O médico e deputado federal do Partido dos Trabalhadores, Jorge Solla, criticou o Ministério da Saúde por, só agora, um ano depois da ciência ter atestado à ineficácia dos medicamentos do chamado kit Covid, ir à público contraindicar o uso dos medicamentos sem eficácia contra o novo coronavírus.
O parlamentar avalia que esse fato é mais um indício de que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), apostou todas as fichas na chamada imunidade de rebanho, que é o desenvolvimento de anticorpos da população a partir da exposição sem proteção ao vírus.
“As evidências científicas de que cloroquina e afins não funcionam no tratamento do Covid já estavam públicas em julho do ano passado, foram as evidências que fizeram mesmo o governo Trump, nos EUA, que foi um entusiasta da cloroquina, reconhecer o erro e abandonar o uso desse medicamento. Mas Bolsonaro decidiu se isolar no mundo e continuar com a cloroquina e com a ivermectina porque ele precisava dar um pretexto para as pessoas se exporem ao vírus, irem às ruas em busca da genocida estratégia da “imunidade de rebanho”: vá que tem um remédio que vai te salvar”, lembrou Solla.
O médico avalia que neste momento a medida é pouco eficaz, já que há quase um consenso na população de que é somente através da vacinação que as pessoas ficarão protegidas contra o vírus. Ele lamenta que o país tenha gasto mais de um bilhão na aquisição de medicamentos sem eficácia contra o coronavírus, mas diz lamentar mais ainda pelas pessoas que morreram acreditando que “a cloroquina poderia salvar”.
“Somente agora, quando não precisa mais, quando as vacinas começam a funcionar, eles mudam de posição. Mais de um bilhão de reais já foi gasto com cloroquina nesse período, mas o preço maior mesmo quem pagou foram as famílias de quem morreu esperando que a cloroquina poderia te salvar, quem deixou de fazer isolamento contando com um tratamento precoce que todos no governo sabiam, não funciona. Como ficam as famílias das pessoas que acreditaram no presidente e no Ministério da Saúde?”, questionou Jorge Solla.
Na tarde desta quarta-feira (14), o Ministério da Saúde, respondendo à CPI da Pandemia, afirmou:
“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”.
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