“Fazer porra de licitação pra menor preço não”, aconselha ex-secretário da Segurança de Rui Costa se colocando à disposição para ajudar empresário da área de segurança

Maurício Barbosa

Compartilhe essa notícia!

Denúncia pelo Ministério Público Federal no último dia cinco de julho, o ex-secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, um dos alvo das investigações da Operação Faroeste, foi flagrado em grampos da investigação prometendo ajudar um empresário em um contrato com o governo estadual e diz que não iria fazer licitação por menor preço.

Barbosa foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de obstruir as investigações contra personagens envolvidos no esquema. Suspeito de comandar uma central de interceptações na Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa teve suas próprias conversas apreendidas pela Polícia Federal na operação. Em uma delas, segundo a PGR, o ex-secretário promete interceder por um amigo em uma contratação no governo e relata que não realizará um processo licitatório.

Em mensagem de áudio enviada no dia 8 de maio de 2019, após ser procurado por um empresário da área de segurança que tinha interesse em um contrato público, o então Secretário de Segurança Pública afirmou: “Valeu meu irmão, tamo junto. É… veja se você precisar de qualquer apoio aí com Mariana, até que a gente interceda lá no processo, fazer porra de licitação pra menor preço não rapaz… botar sua lá… viu…”.

Patrimônio

A PGR aponta que Barbosa acumulou patrimônio acima dos seus proventos de servidor público e que ele tinha uma “sociedade ilegal” em uma empresa de segurança privada, mesmo sendo secretário de Segurança Pública.

“A análise do aparelho telefônico, apreendido pela Polícia Federal em poder de MAURÍCIO BARBOSA, trouxe à demonstração da magnitude de seu poder na área de segurança, visto que, além de ter se perpetuado no cargo de Secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia, por quase uma década, não obstante seu contato com diversos investigados da Operação Faroeste, em atividades criminosas, ele comandava, ao menos, duas frentes empresariais no ramo da segurança privada”, escreveu a PGR.

Sobre seu patrimônio, a denúncia aponta: “MAURÍCIO BARBOSA, mesmo com salário de servidor público federal, acumulou patrimônio imobiliário na capital baiana e no litoral norte, dois automóveis de luxo, quais sejam a BMW X6, placa PKO6H21, e a BMW 320i, placa FLC4I14, além de 06 (seis) armas de fogo registradas em seu nome, sendo 03 (três) delas pistolas Glock”.

Defesa

Maurício Barbosa foi exonerado do cargo de secretário da Segurança Pública da Bahia em dezembro do ano passado, depois de ser alvo da Operação Faroeste. No posto desde 2009, é suspeito de passar informações privilegiadas a outros investigados.

Procurada pelo O Globo, a defesa de Maurício Barbosa afirma que o ex-secretário não tem nenhuma empresa de segurança e disse que o fato se trata de uma “situação hipotética fruto de um devaneio do Ministério Público Federal”. Sobre o grampo telefônico, diz que que a conversa precisa ser periciada para saberem se é verdadeira e em que contexto teria ocorrido. “O que se está fazendo com o ex-secretário Maurício Barbosa é de uma absurdez inominável, pois se acusa sem provas, mas com base em conjecturas. No momento apropriado a defesa vai desconstruir esse castelo de cartas do MPF provando a inocência dele”, afirmam os advogados Sérgio Habib e Thales Habib.

A apuração é do jornal O Globo.

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimas