Como anunciado pelo senador Omar Aziz (MDB) durante sessão da CPI da Pandemia, foi protocolado no Palácio do Planalto, na tarde desta quinta-feira (8), um carta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, onde construída pela alta cúpula da CPI, em que afirmam que só ele é capaz de retirar o “peso terrível” dos ombros do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo apontado como o possível mentor de um esquema de corrupção no Ministério da Saúde.
A carta é uma ísca da direção da CPI do Senado Federal que, sob constante ataque do presidente da República, espera que ele desminta o que falou o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) em oitiva na comissão de inquérito que investiga as ações e omissões do governo federal no trato da pandemia.
Ao desmentir Miranda, Bolsonaro poderá fazer com que ele torne pública uma gravação ou um áudio da reunião que teve com o ele próprio no Palácio do Planalto, onde afirmou ter contato das irregularidades e ouvindo do presidente que o esquema seria “coisa do Ricardo Barros” e que havia prometido acionar “o Delegado Geral da Polícia Federal para investigar”, coisa que não fez.
A carta também atua como uma forma de pressão para que o presidente se manifeste, já que faz 14 dias desde o depoimento do parlamentar do DEM e Bolsonaro apenas confirmou que esteve com Luis Miranda, sem entrar no teor do que foi tratado no encontro.
Leia íntegra da carta:
À Sua Excelência o Senhor
Jair Messias Bolsonaro
Presidente da República Federativa do Brasil
Senhor Presidente
Como é de conhecimento público, foram realizados no plenário desta Comissão Parlamentar de Inquérito, no ultimo dia 25 de junho de 2021, os depoimentos do Deputado Luis Miranda e de seu irmão, o servidor publico Luis Ricardo Miranda.
Entre os inúmeros temas tratados, os depoentes descreveram em detalhes o encontro que mantiveram com Vossa Excelência, no Palácio da Alvorada, no dia 20 de março de 2021, ocasião na qual teriam lhe alertado a respeito de vícios insanáveis e indícios de ilegalidades na documentação referente a importação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.
Um dos temas mais sensíveis, motivo deste expediente especificamente, constitui a referência que teria sido feita por Vossa Excelência ao Líder do Governo na Câmara dos Deputados, Deputado Ricardo Barros.
Segundo o Deputado Luis Miranda, Vossa Excelência teria dito o que se segue, conforme consta registrado das notas taquigráficas:
“O Presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, ele falou: ‘Isso é grave!’.”
“Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: ‘Isso é coisa de fulano’ . ‘Vou acionar o DG da Policia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo”.
Posteriormente, o Deputado Luis Miranda, declarou à CPI: “Foi o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o nome Ricardo Barros”.
Solicitamos, em caráter de urgência, diante da gravidade das imputações feitas a uma figura central desta administração, que Vossa Excelência desminta ou confirme o teor das declarações do Deputado Luis Miranda.
Tomamos essa iniciativa de maneira formal, tendo em vista que no dia de hoje, após 13 (treze) dias, Vossa Excelência não emitiu qualquer manifestação afastando, de forma categórica, pontual e esclarecedora, as graves afirmações atribuídas a Vossa Excelência, que recaem sobre o líder de seu governo.
Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado politico, o Deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente.
O propósito desta iniciativa é de colaboração, esclarecimento e elucidação dos fatos. Frisamos que a manutenção do silêncio de Vossa Excelência, em relação a este fato específico, cria uma situação duplamente perturbadora.
De um lado, contribui para a execração do Deputado Ricardo Barros, ao não contar com o desmentido firme e forte daquele que participou da conversa com os irmãos Miranda.
Segundo, ao não desmentir o relato do Deputado Luis Miranda, impede-se que, em não sendo verdadeiras as referenciadas informações, sejam tomadas medidas disciplinares pertinentes, porquanto é inadmissível que um parlamentar, no exercício do mandato, faça tal afirmação envolvendo o Presidente da República e Líder do Governo e, sendo inverídica, não responda por este grave ato.
Caso Vossa Excelência desminta, de forma assertiva, as palavras do Deputado Luis Miranda, esta Comissão Parlamentar de lnquérito se compromete a dele solicitar esclarecimentos adicionais e provas do que disse, e, na hipótese de não haver provas, tomar claro que se trata apenas um conflito de versões. Ademais, em havendo tal conflito, será permitido à sociedade que tenha o direito de saber a verdade sobre os fatos.
Diante do exposto, rogamos a Vossa Excelência que se posicione, de maneira clara, cristalina, republicana e institucional, inspirando-se no Salmo tantas vezes citado em suas declarações em jornadas pelo País: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Respeitosamente,
Senador Omar Aziz
Presidente da CPI Pandemia
Senador Randolfe Rodrigues
Vice-presidente da CPI Pandemia
Senador Renan Calheiros
Relator da CPI Pandemia



