A senadora Simonet Tebet (MDB) apresentou provas da falsificação do documento usado pelo ministro Onix Lorenzoni e pelo servidor e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, como o invoice original da compra da Covaxin, para mostrar que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do MS Ricardo Miranda, mentiram em oitiva na CPI da Pandemia.
“Tudo está errado em um contrato de 300 milhões de dólares, 1 bilhão e meio de reais. Onix vai à televisão e diz que documento [apresentado pelos Miranda] é falso por conta da grafia. O dito verdadeiro tem excesso de erro e não há marca de scanner e fax. O documento dito verdadeiro tem comprovação de falsidade de documento privado, falsidade ideológica formulada por alguém. Tem marca e logotipo desenquadrado, inúmeros erros de inglês. Talvez o mais desmoralizante seja o item 17: está ‘prince’ no lugar de ‘price’. CEO está companhia; está um dialeto que só eles conhecem, está em ‘portinglês’ que não dá para entender”, ironizou Tebet.
A senadora do MDB questiona quem produziu o documento falso que os membros do governo Bolsonaro usaram como verdadeiro para mostrar que não havia irregularidades na compra junto à Precisa através da Madison Biotech.
“Lembrem 1º Invoice feito pela Madison, corretamente; esse foi elaborado pela Madison? Com tantos erros de inglês! O nome do aeroporto corrigido errado, Brazil com Z e aeroporto em português. Mas vamos ao mais grave, as doses; eles colocam que são 300 mil caixas com 16 ampola cada e cada ampola dá para uma dose, se for multiplicar por isso, o que o Brasil teria que receber seria 4.8 milhões de doses e não 3 milhões como está aqui. Esse documento não poderia ter passado pelo MS. É um documento que diz que hora o Brasil vai receber 4 mil doses, e hora 3 mil. E o mais grave nesse documento, para ganhar um pouco mais de propina, eles passam de 45 milhões de dólares, e separam o frete e o seguro, e o que era contratado por 45 milhões solta para quase 46 milhões de dólares, quase um milhão de dólares, cinco milhões de reais que alguém iria levar em um paraíso fiscal para fazer alguma rachadinha. Como é que ninguém visualiza um documento fajuto como esse? Documento apresentado pelo Onix, pelo Élcio e fotografado por nós [senadores] e pela imprensa”, desabafou a senadora da República.

A parlamentar avalia que o erro de escrita se trata de um “dialeto acordado entre as partes” ou “tudo propina em pagamento antecipado”: “vai ser no rateio de alguém que vai levar vantagem em cima de vacina, da dor dos brasileiros”.
Ela aponta mais outra incongruência do contrato da Covaxin, dessa vez através do modo de distribuição: “Um [invoice diz] vem por navio, outro vem por aéreo. Esse não é um erro comum. A Madison emitiria nota fiscal sendo ela de Cingapura, onde a língua inglesa é amplamente divulgada? Pela quantidade de erros, a invoice não foi emitida pela Madison; se não foi emitida por ela, então por quem? Quando? Para quê?”
A senadora do MDB solicita que uma das peças chaves para esclarecer o escândalo, uma mulher de nome Emanuela, representante do setor jurídico da Precisa, seja convocada para prestar esclarecimento à CPI da Pandemia.
“Fundamental que Emanuela venha aqui. Ela que negociava produção do documento. Isso foi feito na Precisa, no MS? Seria a Madison uma empresa de fachada? Com que objetivo? A primeira nota correta, essa [divulgada pelo governo] não, como ela [a Precisa] não vem à público para falar nada? Élcio disse que em um dia investigou tudo e não achou nada. Olha aqui o invoice dito correto, cheio de erro. Claramente o ex-secretário-executivo prevaricou, claro que ela[a compra] já nasceu morta, essa vacina não iria chegar no povo brasileiro. O presidente da República precisa vir à público esclarecer esses fatos. Aqui está uma prova cabal de crime, Houve prevaricação”, desabafou Simone Tebet.



