Otto Alencar diz que Bolsonaro solicitou abertura de inquérito na PF contra dono da Precisa para garantir direito ao silêncio ao empresário suspeito de acertar propina na CPI da Pandemia

Otto Alencar

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O senador Otto Alencar (PSD) acusa o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de atuar para transformar o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos, em investigado através de processo aberto na Polícia Federal e permitir que ele, ao buscar o Supremo Tribunal Federal, consiga o direito ao silêncio, como aconteceu.

Ele aponta que há influência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, através do diretor da PF, o que explica o fato da Precisa e Maximiano serem alvos de inquérito às véspera de depoimento na CPI da Covid. O depoimento de Maximiano, previsto para essa quinta-feira (1), foi adiado.

“Ontem o governo, através de inquérito aberto pela Polícia Federal contra Precisa e Maximiano e, consequentemente, ele passou a ser investigado e, como investigado, entrou no STF e a ministra Rosa Weber, obedecendo a lei, interpretando a lei, concedeu. Vamos mostrar à ministra que foi uma armação do governo para transformá-lo em investigado e ele ter o direito de ficar calado. Foi uma manobra do governo. Porque não abriu antes, um caso tão antigo? Veio abrir para o Francisco, como investigado, ficasse calado [na CPI]”, destacou Alencar.

O político prometeu que o Senado irá recorrer da decisão e tentar convocá-lo como testemunha, onde não poderá se negar a falar.

O parlamentar do PSD da Bahia afirma que vive uma investigação de um amplo esquema de corrupção e aponta o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, exonerado na última terça-feira (30).

“Estamos investigando coisa bem maior. Envolve MS, governo Bolsonaro, corrupção, propina já qualificada no MS, com um funcionário, diretor Roberto Ferreira, que já era conhecido e falado aqui, promotor de tráfico de influência conhecido, que fazia essa traficância há muito tempo, foi demitido ano passado depois foi readmitido, tentaram mandar para ANS e foi rejeitado, ele não passaria aqui, mesmo assim trouxeram ele e deixaram ele no posto onde fazia toda traficância estimulando o pedido de propina para compra de equipamentos”, denunciou Alencar.

Sobre o esquema da Covaxin, que poderia ter resultado em um romba de R$46 milhões ao Ministério da Saúde, o parlamentar baiano afirmou: “a omissão do governo em não comprar as vacina quando deveria e ter comprado agora a Covaxin, assinado um contrato de 57 dias para pagar um bilhão e seiscentos milhões de reais com uma vacina superfaturada, com pagamento antecipado a uma empresa de fachada em Cingapura”.

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