O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), avalia que o esquema Covaxin deve ser apurado e se tiver servidores do Ministério da Saúde envolvidos, eles devem ser punidos.
“Os fatos têm que ser apurados; ver se tem algum tipo de irregularidade, interesse que resulte em algum tipo vantagem para esse ou aquele agente público e, se sim, que tenha as devidas punições”, destacou Reis, em coletiva virtual na manhã desta segunda-feira (28).
Escândalo Covaxin
O deputado Federal Luis Miranda (DEM) é irmão de Luis Ricardo Miranda, servidor concursado da área de importação do Ministério da Saúde que fez uma denúncia de que estava sendo pressionado pelo ex-secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, e pelos os servidores Alex Leal Marinho, Coronel Pires e Roberto Ferreira Dias para autorizar a importação da Covaxin com inconsistências contratuais. A pressão teria sido feita a mando do líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP), segundo o parlamentar deu a entender em depoimento na CPI da Pandemia, na última sexta-feira (25).
Apesar de ter sido informado do esquema e prometido acionar o delegado-geral da Polícia Federal para apurar o caso, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), nada teria feito na relação ao ilícito até a última quinta-feira (24), quando afirmou em entrevista que solicitou apuração da PF.

O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O documento para exportação, cujo um dos responsáveis era o irmão do deputado do DEM, teve que ser refeito ao menos três vezes por divergência nos valores e por força da inclusão de uma offshore com sede em Cingapura estranha ao contrato. O contrato poderia causar um prejuízo de R$46 milhões. O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. O imunizante, que foi o único a ser contratado via uma empresa intermediária, teve problemas apontados pela Anvisa e Tribunal de Contas da União em relação ao alto custo, efeitos adversos graves, falta de registro na Anvisa, falha de guarda ou transporte e validade; apesar dos problemas, o Ministério da Saúde decidiu seguir com o processo de compra.



