O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, em oitiva na CPI da Pandemia, nesta sexta-feira (25), que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), citou o nome de um deputado ao ser informado de irregularidade na compra da vacina Covaxin.
“O presidente nos recebeu em um sábado, aleguei urgência urgentíssima, o presidente entendeu a gravidade, olhando nos meus olhos disse que era grave. Citou um parlamentar, que não lembro o nome, disse que isso é coisa de fulano e falou que iria acionar o DG[Delegado-Geral] da PF”, destacou Miranda.
O parlamentar reforçou que estava indo a público denunciar o fato pela confiança que tem no irmão e por sua função de “fiscal do dinheiro público”, que busca “defender o dinheiro público e combater o indício de corrupção”.
“Se não fosse nós [ele e o irmão], R$45 milhões teriam sido pagos até agora por uma vacina que não se resolveu e nem sabemos que se resolverá. Para uma empresa que já recebeu recurso público na compra de remédios e não entregou; empresa envolvida em escândalo no DF”, destacou o deputado federal do Democratas do DF.
Miranda presta depoimento ao lado de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que alega ter sofrido pressão para liberar a compra de quatro milhões de doses da Covaxin via pagamento adiantado, através da Barth/Biotech, empresa ligada à Precisa Medicamentos.
O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. A oferta inicial da Covaxin era de cerca de dois dólares a dose.
Marcelo aponta que pressão para compra da Covaxin veio do coronel Marcelo Bento Pires e do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, que ainda está lotado no governo federal.
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