O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, ao ser pressionado pelo presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (MDB), que Bolsonaro, após citar o nome do parlamentar por trás dos esquemas no Ministério da Saúde, declarou: “ali é foda; se eu mexo naquilo ali, sabe a merda que será”.
O parlamentar se encontrou com Bolsonaro para afirmar esquema que poderia resultar em um prejuízo de cerca de 45 milhões de dólares.
O senador do MDB, visivelmente irritado, disse que iria pedir a um médico para receitar um “negócio de memória” para Luis Miranda, e ressaltou: “só vamos terminar quando ele lembrar”.
O presidente da CPI da Covid fez um discurso contra Jair Bolsonaro (sem partido) e perguntou se o parlamentar citado pelo presidente como o autor do esquema de corrupção é o mesmo ao qual ele já havia entregue em um dossiê ao ministro Onyx Lorenzoni, quando era ministro da Cidadania.
“Ele [Bolsonaro] gosta de acusar de ladrão sem ter prova nenhuma. Sem se aprofundar, não se aprofunda em nada, por isso fala no cercadinho. Quando questionado, ele ofende, se for mulher ofende ainda mais. Tem mulher que está ao lado dele, tira máscara, bajula porque tem carguinho de marido. Prática antiga de arrumar empreguinho. Vossa excelência jurou, dizendo que está contra corrupção, tem que dizer o nome. Se o discurso, e ele [Bolsonaro] gosta de fazer isso em live, chamar todo mundo de corrupto; […] vossa excelência, pelo Brasil, tem obrigação de dizer quem é o deputado. Esse é o mesmo que o senhor entregou para Onyx Lorenzoni?
CPI da Pandemia
Miranda presta depoimento ao lado de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que alega ter sofrido pressão para liberar a compra de quatro milhões de doses da Covaxin via pagamento adiantado, através da offshore Madison Biotech e não da Barth/Biotech, empresa ligada à Precisa Medicamentos e que estava prevista em contrato.
O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. A oferta inicial da para compra do imunizante era de cerca de dois dólares a dose.



