A decisão do Exército Brasileiro de não aplicar uma sanção contra Eduardo Pazuello, secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República flagrado em um ato político ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em maio, gerou críticas de membros das Forças Armadas, do campo político e de entidades da sociedade civil.
“VERGONHA! Fui surpreendido com telefonemas e mensagens de dezenas de jornalistas sobre o encerramento do caso Pazuello. Sempre respondo, mesmo que seja para informar que nada tenho a dizer. Mas ontem não disse nada. Por vergonha”, desabafou o general Santos Cruz.
A OAB emitiu uma nota, assinada pelo seu presidente nacional, Felipe Santa Cruz, avaliando que decisão do Exército afronta à disciplina e ao que determina a lei.
“A lei estabelece claramente que a hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. Não é raro ouvir declarações públicas dos comandantes militares de que “quando a política entra pela porta da frente num quartel, a hierarquia e a disciplina saem pela porta dos fundos”. Pois a decisão de hoje escancarou as portas, ao não punir um general da ativa que participou de um evento político, em clara afronta à disciplina e ao que determina a lei. A partidarização das Forças Armadas ameaça a democracia e abre espaço para a anarquia nos quarteis. A grave situação do país exige das instituições respostas firmes para impedir retrocessos e quebra da ordem institucional, diz Felipe Santa Cruz.
O ex-presidente da Câmara dos Deputado, Rodrigo Maia (DEM), afirmou em uma rede social: “Cada vez tenho maior convicção: estamos vivendo um chavismo de direita”.
“Bolsonaro gerou mais uma crise e colocou aliados em saia justa. Ele é comandante em chefe das forças armadas e sabe que militar da ativa não pode se manifestar sobre assuntos político-partidários. Bolsonaro não respeita as instituições e nem o Exército”, afirmou o deputado federal Zé Neto.
O virtual candidato à presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como” muito grave a decisão do comando do Exército de não punir Pazuello”.
Veja nota do Exército Brasileiro:
Acerca da participação do General de Divisão EDUARDO PAZUELLO em evento realizado na Cidade do Rio de Janeiro, no dia 23 de maio de 2021, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que o Comandante do Exército analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente pelo referido oficial-general.
Desta forma, não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do General PAZUELLO.
Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado.
Brasília-DF, 3 de junho de 2021



