Recorde de mortes e falta de vacinas, partidos de esquerda e movimentos sociais preparam ato nacional pelo impeachment de Jair Bolsonaro neste sábado

Protesto Fora Bolsonaro

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Será realizado em diversas cidades do Brasil, neste sábado (29), o ato “Fora Bolsonaro e Mourão”. 

Os protestos estão sendo convocados pelas centrais sindicais, movimentos sociais, entidades estudantis e partidos políticos de esquerda.

Na Bahia, estão confirmados atos em Salvador, Feira de Santana, Itabuna e Ilhéus. “As manifestações ocorrerão nas cinco regiões do Brasil. Até o momento, temos protestos confirmados em 25 Estados e no Distrito Federal, com o total de 128 cidades. Teremos manifestações também em outros países como França, Estados Unidos, Holanda, Portugal, Espanha e Uruguai”, informa Jailson Lage, representante da Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas. 

O ato será realizado em um momento onde as pesquisas mostram uma queda contínua na popularidade do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Pela primeira vez desde que foi eleito, um levantamento, o do DataFolha divulgado neste mês, mostrou que o número de brasileiros que querem o impeachment do presidente é maior do que os que querem que ele siga no cargo. 

Segurança

A polêmica do ato fica por conta do momento sanitário do Brasil, que enfrenta um crescimento nas contaminações e óbitos provocados Covid-19. O ato tem dividido membros da própria esquerda, que avaliam que o movimento poderá abrir brechas para críticas do bolsonarismo, alvos frequentes de reclamações por membros da esquerda por promoverem aglomerações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro onde as pessoas desrespeitam as medidas de proteção e de distanciamento social. 

“Eles estão sem máscara, aglomerados, são negacionistas. A nossa manifestação será com todo rigor, com distanciamento social, uso de máscara, haverá distribuição de álcool em gel, é completamente diferente. Será uma demonstração de que a consciência em relação ao descaso do governo no trato da pandemia está crescendo, assim como a rejeição crescente de Bolsonaro. Será uma ato para que ele saiba que os movimentos sociais estão vivos e que não irão se desmobilizar até sua saída”, destacou a deputada federal Alice Portugal (PCdoB). 

Outro parlamentar federal a defender o ato é Afonso Florence (PT), que lembra que desde o início da pandemia, diversos atos de protesto organizados pela esquerda contra o presidente da República foram cancelados por conta da situação sanitária do país. 

Afonso afirma que o movimento Fora Bolsonaro e Mourão, diferente dos organizados pelo chefe do executivo federal, não é para colocar à prova a eficácia da tese da imunidade de rebanho, onde as pessoas, orientadas por Jair Bolsonaro, “se aglomeram sem máscara”.  

“Bolsonaro faz um evento no Rio onde ele não usou máscara, o general pazuello que esteve presente não usou – e que por estar lá cometeu um crime contra carreira militar-, ambos com todo esforço para pôr à prova a tese da imunidade de rebanho. Nós não, faremos um evento com todo regramento sanitário, distanciamento, álcool em gel, tudo para preservar vidas. E é para preservar vidas que estamos indo às ruas pedir o impeachment de Bolsonaro”, destacou Afonso. 

O presidente do Conlutas também acredita que o caminho para preservação das vidas passa pela saída de Jair Bolsonaro do cargo de presidente do Brasil. 

“Vamos ocupar as ruas porque não estamos mais aguentando o descaso desse governo com a vida do povo brasileiro. O número de mortes aumenta todos os dias, a fome se amplia e o desemprego cresce. Não podemos esperar 2022, as mortes, a fome e o desemprego não se pautam pelo calendário eleitoral”, afirma Jailson Lage, representante da Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas. 

Salvador

Em Salvador, a manifestação está marcada para o Largo do Campo Grande, às 10h. “Se vamos às ruas protestar e marchar em meio a uma pandemia, é porque temos um governo perigoso, que mata tanto quanto o vírus. Que vem impondo uma política genocida, que nega a Ciência e segue destruindo os serviços públicos, quando a população mais precisa”, ressalta Lúcia Martins, representante do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciários Federal na Bahia (Sindjufe-BA) e do Movimento Mulheres em Luta (MML).

Os organizadores pedem que os manifestantes usem máscaras PFF2, levem álcool em gel e mantenham o distanciamento social. 

“Tomaremos os cuidados necessários, mas não podemos deixar de protestar. Ou o vírus nos mata ou a fome. Quando não somos mortos pelo vírus, somos mortos pela bala da polícia que sempre encontra os corpos pretos, da periferia. Vamos às ruas contra esse governo reacionário e contra o extermínio do povo negro. Temos que dizer ‘parem de nos matar, vidas negras importam’”, pontua Matheus Araújo, do Movimento Aquilombar.

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